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Currículo


O candidato a uma vaga de emprego tem vários trunfos para conseguir ultrapassar os concorrentes e ganhar o posto. Formação sólida, boas relações com pessoas influentes no mercado, cursos, experiência prática são alguns deles. Mas um currículo feito de forma cuidadosa e completa também é essencial para ajudar no processo de escolha.

O currículo é o cartão de visitas. Vai dizer quem é, o que sabe, o que pode fazer e o que os empregadores podem esperar daquele profissional. É fundamental como apresentação do candidato e permite que o examinador conheça as potencialidades de cada aspirante ao emprego. Como a primeira impressão sempre é a que fica, a melhor escada para o emprego dos sonhos é um currículo elaborado de maneira clara, concisa e objetiva.

 

Tipos de currículos

Existem dois tipos de currículos: os completos e os resumidos. A grande maioria do mercado de trabalho usa currículos resumidos. Os completos são utilizados quase que, exclusivamente, no mundo acadêmico. Alguns exemplos podem ser vistos na plataforma Lattes, na página eletrônica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Como não há limite de espaços para os currículos completos, alguns podem chegar a 50 páginas. A regra é incluir toda a produção acadêmica, cursos, experiências profissionais, habilidades específicas e tudo que haja de referência profissional em toda a carreira.

Já os currículos resumidos simplificam a versão acadêmica. Devem conter informações da mesma natureza, como formação, experiência profissional e participação em congressos e seminários, mas de forma reduzida. Só deve ser incluído nesse estilo o que for mais importante e representativo do histórico profissional.

 

Erros Comuns

Um dos aspectos que mais levam à desvalorização do currículo é falso relato da eficiência. Na hora de elaborar o material, muitos decidem supervalorizar a experiência profissional. Existem currículos que levam a crer que o candidato tem habilidades fantásticas e acima da média do mercado. Mas na realidade, muitos não se sustentam no cargo, porque não são tão hábeis assim. O melhor mesmo é não criar uma falsa impressão para o entrevistador e evitar o risco de ser desmascarado durante o trabalho.

Outro erro comum é a omissão de informações. Por projetar no entrevistador as próprias opiniões, muitos concorrentes acabam excluindo temas da conversa, que consideram desinteressantes ou irrelevantes. O resultado é que, muitas vezes, o entrevistador não possui elementos suficientes para formular uma opinião a respeito do candidato. Relatar frustrações e experiências profissionais mal sucedidas pode aumentar a empatia e criar pontos de concordância.

 

Personalizar o currículo

Para alguns profissionais, a melhor maneira de dar destaque ao currículo é transformá-lo em algo que se destaque em meio ao bolo de papéis padronizados. Em alguns casos, a impressão é feita em papel diferenciado, colorido ou perfumado. Há quem opte por imprimir o exemplar com uma foto.

A tendência das empresas é adotar o critério mais neutro possível. Pequenas variações são aceitas, mas há sempre o risco de se deparar com um examinador conservador, que espera pelos alvos papéis A4. Nesses casos, o mais pode virar menos. Como o foco das escolhas está no conteúdo, as pequenas variações não costumam despertar a atenção. Por isso, seguir o padrão ainda é o mais recomendável.

Outra questão que não pode ser ignorada é a praticidade. Atualmente, poucos currículos são entregues pessoalmente. A internet é, hoje, a maior fonte para quem procura empregos e funcionários. De que adianta criar uma apresentação criativa, colorida e arrojada, se o examinador vai receber o documento por correio eletrônico e imprimir sem cores, no formato tradicional?

A exceção está nas organizações mais modernas, que se pautam pela criatividade e inovação, como empresas ligadas ao design, arquitetura e informação visual. Nesses casos, alguma ousadia é permitida. Mas, de forma geral, as companhias que contratam tendem a escolhas tradicionais.

 

O ideal

A melhor solução para valorizar o candidato aos olhos do entrevistador não está na apresentação, mas no conteúdo. O grande diferencial, na busca pelo emprego, é ter a formação, a experiência e o perfil adequados para a vaga exigida. Bons antecedentes, formação em boas escolas, experiências profissionais variadas, especializações e investimento na carreira ainda são os melhores aliados de quem está na disputa por um emprego.

Além do conteúdo adequado à vaga pretendida, a organização das informações deve ser simples, para que quem avalia o material possa encontrar o trecho de maior interesse com facilidade. O texto deve ser direto, sem literatura. E precisa oferecer informação suficiente para que o examinador conheça o candidato, mas sem excesso, supervalorização ou descrição das ações de forma presunçosa. Para facilitar a leitura, o texto pode ser dividido em tópicos.

No caso dos currículos completos, a linguagem deve ser formal. Nos resumidos, termos mais coloquiais podem ser usados. Em poucas palavras: as empresas esperam currículos que ofereçam objetividade, organização e o perfil completo do profissional.

 

Como fazer um bom currículo

Não existem regras, modelos ou conselhos para elaborar um currículo adequado. Há especialistas que sugerem a criação daqueles extensos, que contenha todas as informações referentes ao candidato. Para cada vaga pleiteada, é necessário fazer uma adaptação e excluir as informações desnecessárias. Todo currículo deve ser adaptado à situação e à vaga pretendida.

Mesmo que não haja uma receita de bolo para o currículo ideal, existem passos a serem seguidos e um ordenamento de idéias que, com o uso freqüente, acabou por se tornar o padrão:

  • Dados pessoais e documentais – O nome completo é o primeiro dado, e deve vir em destaque. Em seguida, endereço completo, mais de um número de telefone e e-mails, naturalidade, estado civil e idade.
  • Objetivo Profissional – Muitos não incluem essa informação no currículo por considerarem que ela já está expressa nas atividades profissionais. Nem sempre é assim. A avaliação segue critérios pessoais do examinador, que pode não captar a essência das ambições do candidato. Em outros casos, há quem desenvolva anos da carreira em uma área, mas decida se candidatar a outro setor na empresa. Em todos os casos, é importante deixar claro quais são as aspirações profissionais.
  • Formação Básica e Complementar – Lista todo o embasamento acadêmico do candidato. Deve ser organizada em ordem decrescente de importância (do doutorado à graduação). Para os que já concluíram o ensino superior, não é necessário citar a conclusão dos ensinos médio e fundamental.
  • Experiência Profissional – Não é necessário citar todas, apenas as mais relevantes. Caso todas sejam importantes, deve-se citar apenas as três últimas vivências profissionais que se aproximem da vaga pretendida. É essencial mencionar o nome da empresa, o cargo desempenhado, o período de permanência na companhia e um resumo das funções exercidas.
  • Informações Adicionais – Neste campo, entram os cursos extracurriculares, palestras, seminários, conhecimento de línguas, informática e qualquer informação que possa ser importante para a definição do perfil do candidato. Não pode deixar de mencionar o nível de conhecimento. A palavra “inglês” não esclarece nada. É preciso saber se o candidato fala a língua fluentemente ou ainda está no primeiro livro.

 

Evite

  • Erros de português costumam desclassificar imediatamente qualquer candidato. O currículo é um documento que exige texto simples e enxuto. Se nesse formato, os erros estão presentes, o entrevistador entende que os erros aumentarão na medida da complexidade do material produzido.
  • Não se deve colocar foto em um currículo. A questão do preconceito embutido na expressão “aparência pessoal” é cada vez mais discutida. Exigência de beleza ou de determinados atributos físicos vêm gerando processos judiciais no país.
  • A informação também deve ser precisa e direcionada. As experiências citadas devem estar relacionadas com a vaga a que se candidatou. O ideal é descrever apenas os mais relevantes. A listagem de informações em excesso cansa e confunde o avaliador.
  • A mentira e a invenção de experiências também podem levar à frustração. As empresas costumam escolher algumas informações contidas nos currículos e checar por amostragem. Se não são verdadeiras, o candidato jamais será convocado.
  • Outro detalhe que prejudica a objetividade dos currículos é a capa. Na visão dos examinadores, ela apenas adia e dificulta o acesso às informações importantes, e prejudica a idéia de economia de espaço.
  • As referências profissionais também são dispensáveis. Ninguém, em sã consciência, incluiria o telefone de um desafeto em uma listagem profissionais, apenas de pais, mães, parentes e amigos que só ressaltariam o lado positivo da personalidade. Se o responsável pela seleção duvidar da capacidade do candidato, ele mesmo selecionará uma fonte, mais confiável, para tirar a prova.
  • Não usar primeira pessoa do singular ou do plural.
  • Escrever “curriculum vitae” no topo da página também é desnecessário. Quem trabalha com seleção de profissionais reconhece de longe o material que recebe. Além de ser redundante, significa perda de um espaço precioso para destacar as habilidades pessoais.
  • Em vez de escrever a data de nascimento, a dica é escrever a idade. Isso poupa o examinador que, provavelmente, tem outros candidatos para avaliar, perca tempo fazendo contas. Por isso, os currículos devem conter, ao final das informações, a data em que foi feito. Assim, fica evidente a atualidade do material.
  • Nunca se deve economizar nos contatos pessoais. Se o examinador tenta encontrar o candidato, mas o telefone celular está desligado e não há outra opção, ele certamente desistirá.