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EXCELÊNCIA - 01/03/2013

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Ministério da Defesa premia pesquisas da UnB

Pesquisadores da Universidade ficaram em segundo lugar em duas categorias de concurso de teses sobre defesa nacional
Leonardo Echeverria - Da Secretaria de Comunicação da UnB



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Dois pesquisadores da Universidade de Brasília foram premiados no V Concurso de Teses sobre Defesa Nacional, realizado pelo Ministério da Defesa. Rodrigo Medeiros conquistou o segundo lugar na categoria doutorado, com a tese "Decodificando a Internacionalização da Amazônia em narrativas e práticas institucionais", e Mariana Fonseca Lima garantiu a mesma posição na categoria mestrado, com a dissertação "Percepções sobre a interação entre defesa, diplomacia e inteligência no Brasil". O prêmio foi entregue no último dia 20. Na ocasião, o almirante Julio Saboya de Araujo Jorge destacou que os assuntos relativos à defesa são pouco discutidos pela sociedade civil.

Os primeiros lugares nas duas categorias ficaram com pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp). Na categoria doutorado, Marcos Vadhat Ferreira venceu com o trabalho foi sobre a política de segurança dos Estados Unidos e a tríplice fronteira após o 11 de setembro. No mestrado, outro aluno da Unicamp, Alcides Peron, ficou em primeiro com a pesquisa sobre o programa F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB).

O gerente de Políticas Setoriais da Subchefia de Política e Estratégia da Defesa, coronel Gustavo de Souza Abreu, afirmou que o concurso mostrou “interessantes e até inéditas pesquisas históricas e outras perspectivas comparadas contemporâneas em que o Brasil é situado no sistema internacional”. Para ele, o resultado do concurso “demonstra elevado nível de percepção dos problemas por parte dos pesquisadores”. Como por exemplo a dissertação de Mariana, sobre a interação entre os órgãos de defesa, diplomacia e inteligência no Brasil.

Mestre em Relações Internacionais, Mariana mapeou as instituições das três áreas e a partir de entrevistas com 21 autoridades, desenvolveu critérios para medir o grau de interação entre as diferentes instâncias de decisão. "A interação é muito baixa no Brasil, apesar de ter havido uma melhora significativa a partir de 1999, após a criação do Ministério da Defesa e da Agência Brasileira de Inteligência", afirma. "Antes, sequer havia interação entre as três forças armadas".

DIÁLOGO - Por meio das entrevistas, Mariana constatou que os principais temas onde há trocas de informações entre diplomatas, militares e os serviços de inteligência são os que envolvem o crime organizado. Porém, quando perguntados qual tema seria o mais importante nessa agenda de cooperação, o mais citado foi "estabilidade política regional". "O entorno regional do Brasil é uma das prioridades da política externa do Itamaraty e do Ministério da Defesa, até por causa das questões comerciais envolvendo o Mercosul e a Unasul", explica a pesquisadora.

Segundo Mariana, um dos principais pontos que dificulta o diálogo entre diplomacia, defesa e inteligência é a falta de uma estratégia nacional. Não existem reuniões regulares da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) ou do Conselho de Defesa Nacional. "Eles funcionam mais quando são provocados, e atuam com uma temática ampla, como a compra do submarino nuclear", explica. "Para que haja maior regularidade, é necessário que haja um objetivo comum, uma estratégia".

Nos Estados Unidos, por exemplo, a interação entre as agências de inteligência e defesa é uma obsessão, com encontros semanais ou quinzenais. "Eles também têm problemas com isso, como aconteceu no 11 de setembro. Mas trata-se de uma megaestrutura", afirma Mariana.

AMAZÔNIA - Rodrigo Medeiros, segundo lugar na categoria doutorado, focou sua tese em uma questão que incendeia os debates nas redes sociais: a internacionalização da Amazônia. Com pesquisas feitas no Brasil e nos Estados Unidos, o doutor em Ciências Sociais analisou como esse tema é tratado nos dois países. Segundo o estudo, a apropriação do território amazônico por outros países é apenas um mito. "A internacionalização não existe", afirma. "No caso dos EUA, eles reconhecem a soberania brasileira, o que acontece é que eles veem a Amazônia como uma fonte de recursos naturais para serem processados pelas suas tecnologias. E isso é legítimo", afirma Rodrigo.

O pesquisador destaca que o grande problema em relação à Amazônia é a falta de soberania do Brasil sobre as informações coletadas na área. "No caso do Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, a tecnologia de satélites não é brasileira, e as informações são compartilhadas", diz. "Existe um comprometimento dos militares brasileiros em relação a essa questão, mas faltam recursos e tecnologia".

Ele diz que o Brasil mudou sua percepção sobre a floresta nos últimos 50 anos. Enquanto que na década de 1960 a palavra de ordem era "integrar para não entregar", hoje o país vê a Amazônia como um ativo a ser protegido, ao invés de levar o desenvolvimento para lá. "Existe muita coisa desconhecida lá, faltam pesquisas e controle sobre o conhecimento que já é produzido lá", afirma.

O PRÊMIO - O Concurso de Teses sobre Defesa Nacional existe desde 2004, e tem como objetivo motivar os pesquisadores a tratarem do tema em seus estudos. Segundo Larissa Israel, cordenadora do Departamento de Pessoal, Ensino e Cooperação do Ministério da Defesa, o resultado tem sido positivo. Tanto que, neste ano, a pasta pretende lançar um concurso voltado para os alunos de graduação.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

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