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EXPANSÃO - 13/11/2012

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Emília Silberstein/UnB Agência

 

Inauguração do BSA Sul consolida expansão da UnB

Bloco de Salas de Aula Sul (BSA Sul), que leva o nome do biólogo Luiz Fernando Gouvêa Labouriau, procura auxiliar atividades desenvolvidas no ICC Sul
Jairo Macedo - Da Secretaria de Comunicação da UnB



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A Universidade de Brasília inaugurou na manhã dessa terça-feira, 13, mais um prédio-símbolo da expansão. O Bloco de Salas de Aula Sul (BSA Sul), que leva o nome do biólogo Luiz Fernando Gouvêa Labouriau, é a 31ª nova edificação erguida nos últimos quatro anos. Na cerimônia de inauguração oficial, mais que uma solenidade a um edifício que abre suas portas, foi lembrada a íntima relação entre a figura do homenageado e o conceito proposto através do BSA Sul.

“Hoje é o ato simbólico, mas a inauguração de uma instalação acadêmica se dá quando os alunos por ela circulam”, disse o reitor José Geraldo de Sousa Junior, lembrando que o BSA Sul já se encontra em pleno funcionamento desde o início de novembro. Na volta às aulas, os estudantes começaram a ocupar o prédio de 7,5 mil metros quadrados, em que estão instaladas 8 áreas para tutoria, auditório e 48 salas de aula. O objetivo é complementar as atividades da ala sul do Instituto Central de Ciência (ICC), hoje sobrecarregado pelos novos cursos e turmas. Em 2007, o vestibular disponibilizava 4.188 vagas para graduação. Em 2012, o número saltou para mais de 8 mil. Estima-se que mais de 2.000 alunos se beneficiarão do BSA Sul.

LABOURIAU – O BSA Sul homenageia o carioca Luiz Fernando Gouvêa Labouriau, que, mais que um biólogo e especialista em fisiologia vegetal, foi um homem que repensou o ambiente acadêmico. No início dos anos 60, quando deixava o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e se transferia para Instituto de Botânica da Secretaria da Agricultura de São Paulo, participou ativamente de reuniões para a concepção da UnB. “Ele ajudou na concepção de um projeto muito ousado. Era uma época catedrática em excesso, em que as universidades brasileiras estavam sob o antigo modelo francês de séculos passados”, afirma Maria Lea Salgado-Laboriou, esposa de Luiz Fernando e ela própria uma cientista de renome mundial. Especialista em palinologia e paleoecologia, Maria Lea é professora emérita da UnB e detém um prêmio Jabuti pela obra "História Ecológica da Terra".

Na década seguinte, Luiz Labouriau veio lecionar na Universidade de Brasília e inaugurou o Departamento de Biologia Vegetal. Porém, uma vez que defendia a universidade como um pólo de pensamento independente, encontrou um ambiente inóspito em função do regime militar.

“Era um crítico corajoso, tanto ao regime militar quanto ao encaminhamento que tomava a UnB. Com isso, nem sempre angariou a simpatia dos gestores de então”, relembra Isaac Roitman. Pela sua “alergia a mediocridade”, nas palavras de Roitman, Labouriau teve que se autoexilar na Venezuela, em 1973. Lá, seguiu por 13 anos à frente do Instituto Venezolano de Investigaciones Científicas (IVIC).

Emocionada, a filha Sônia Delgado Labouriau, hoje professora de arte da Universidade do Rio Grande do Sul, fala da escolha do pai. “Poderia ter ido para a Europa ou Estados Unidos, onde já havia atuado no California Institute of Technology, mas quis o desenvolvimento na América Latina. Fazer ciência de alto nível nos Estados Unidos é fácil, no Brasil é uma tarefa hercúlea”.

Emília Silberstein/UnB Agência

 

Em 1986, em movimento de resgate de cientistas do exterior, o casal Labouriau foi convidado a retornar ao Brasil. Isaac Roitman foi quem propôs pessoalmente o retorno e lembra: “Luiz e Maria Lea são dois grandes cientistas. Ela se direcionou para a Geociência e até hoje, mesmo aposentada, está aqui todos os dias. E o Laboriou foi para o Instituto de Biologia, onde foi criado o Laboratório de Termobiologia, campo em que ele era uma autoridade”.

Falecido em 1996, Luiz Fernando Gouvêa Labouriau já havia sido homenageado pela UnB. Um prédio residencial para professores na Asa Norte e uma praça no ICC levam seu nome. “O Centro Acadêmico da Biologia havia feito essa homenagem, mas era pouco para alguém que foi fundamental no Instituto de Ciências Biológicas”, disse Sônia Báo, vice-reitora eleita pela comunidade universitária. “Penso que a homenagem feita no BSA Sul deve ser extendida também a Maria Lea, como uma família dedicada à pesquisa”, observou o reitor José Geraldo de Sousa Junior. “O prédio aqui é todo de estrutura permeável. Nesse hall, você sabe o que está lá fora, vê a vida, e absorve a luz de Brasília na medida certa. Está muito lindo e, como meu pai não acreditava em ciência sem poesia, ficaria muito satisfeito”, conclui Sônia Delgado Labouriau.

CONSTRUÇÃO - As obras do BSA Luiz Fernando Gouvêa Labouriau tiveram início em dezembro de 2009. A parte estrutural foi executada em seis meses. A partir da licitação da etapa seguinte, a construção do edifício começou em setembro de 2011, executada pela empresa Exata Engenharia. Todas as etapas foram realizadas com recursos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que somam um montante de mais de R$ 9 milhões, segundo o José Américo Garcia, decano de Ensino de Graduação. “É um marco na gestão de José Geral de Sousa Junior. Só quem dava aula no ICC Sul sabe o quanto esse novo prédio será útil para nós. O ICC já teve seus momentos de glória, é verdade, mas agora há essa edificação para complementar essa história”, afirmou o decano. “Com o aumento do número de estudantes, aumenta naturalmente a 'disputa territorial' dos cursos por um espaço de sala de aulas, auditórios e demais estruturas necessárias. Esse edifício vem para ajudar nesse sentido”, acrescentou Isaac Roitman, decano de Pesquisa e Pós-Graduação.

Emília Silberstein/UnB Agência

 

PROJETO – Os planos iniciais para o BSA Sul previam a inauguração em agosto, mas ajustes imprevistos adiaram em três meses o projeto. Alberto Farias, arquiteto diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (CEPLAN), explica: “O atraso foi decorrente de mudanças que a própria universidade solicitou, além de outras decorrentes de ajustes técnicos com relação a produtos ou situações de execução da obra que demandaram uma reavaliação”. Além disso, os seis laboratórios inicialmente previstos foram suprimidos em prol da criação de mais salas de aula. Contudo, o diretor não vê maiores problemas nas alterações. “Qualquer obra carrega certo grau de imprevisibilidade em decorrência de fornecedores, mão de obra, disponibilidade de materiais, capacidade elétrica e estudos de condicionamento ambiental”, enumera ele.

Embora inaugurado, o edifício ainda aguarda alguns complementos, especialmente na parte externa, em que estão previstas rampas, bancos e arborização, em área pavimentada para acompanhar o conceito de vivência proposto. Esther Duarte, estudante do 3º semestre de psicologia, aponta lacunas a serem preenchidas. Cadeirante, ela aponta defeitos na acessibilidade: “O prédio em si tem acessibilidade, mas a chegada a ele ainda não. Só há uma entrada, em que há um degrau que dificulta muito”. Alberto de Farias não nega a incompletude. “Reconheço que as rampas ainda são provisórias, altas e estreitas. Ainda são provisórias e precisam ser trabalhadas”. Aluna e arquiteto concordam ainda quanto ao problema dos dois elevadores, cujo contrato de manutenção precisa ainda ser assinado.

“De qualquer forma, o prédio em si é bom no sentido das salas, que são espaçosas. O banheiro é acessível e os corredores têm piso tátil para quem tem deficiência visual. É melhor estar aqui do que no ICC, que tinha ambiente muito fechado no subsolo e o piso é irregular”, pondera Esther. “O espaço é bom e arejado, não tem aquela sensação de clausura”, concorda Cecília Porto, do 6º semestre de Agronomia.

Emília Silberstein/UnB Agência

 

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

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