Mais notícias

Secom UnB

TOLERÂNCIA - 05/07/2011

Versão para impressão Enviar por e-mail

Professores manifestam apoio ao reitor

  


Da Secretaria de Comunicação da UnB



 Tamanho do Texto

A última edição da revista Veja traz uma matéria em que imputa à Universidade de Brasília o aposto de madraçal esquerdista. A reação ao texto veio de personalidades respeitadas das mais diferentes áreas. Os depoimentos têm sido publicados desde segunda-feira, 5 de julho, sempre na parte inferior da página, na medida em que têm chegado à Secretaria de Comunicação da UnB. Os que quiserem também se manifestar devem encaminhar seus emails para secom@unb.br. Leia abaixo as manifestações:


Gilmar Mendes
Ministro do STF e professor da Faculdade de Direito da UnB
Não percebo nada de anormal. Eu acompanho a diretoria da Faculdade de Direito e vejo que eles tentam conduzir o processo com abertura. Nunca senti nenhuma restrição ao meu trabalho na UnB. Posso dar meu testemunho de que o reitor José Geraldo é uma pessoa bastante tolerante, que realmente respeita outras posições. Eu tenho posições ideológicas claramente opostas às dele e nunca tivemos qualquer problema de convivência. Nos colegiados, ganha-se e perde-se. Leia aqui nota de esclarecimento do ministro encaminhada à Secretaria de Comunicação na quarta-feira, 6 de julho


Cristovam Buarque
Senador da República e ex-reitor da UnB
O reitor José Geraldo de Sousa Junior está, sem dúvida, entre as pessoas mais tolerantes e democráticas que conheço. E ainda que fosse autoritário e preconceituoso, como a reportagem da revista Veja tenta demonstrar, não conseguiria se utilizar desses métodos na UnB nem em qualquer outra universidade. A massa crítica que forma as universidades brasileiras não toleraria. No ambiente universitário, as decisões se dão em colegiados e conselhos. O Conselho Universitário, instância máxima da universidade, se reúne praticamente uma vez por semana. Ainda que qualquer reitor quisesse agir como um tirano, isso não seria possível. Leia aqui discurso proferido pelo senador na tribuna do Senado Federal


Rodrigo Rollemberg
Senador, coordenador da bancada do PSB-DF no Congresso
Estou fora da vida acadêmica, mas conheço o reitor José Geraldo há muitos anos e sei de sua formação democrática e libertária. Portanto não creio em nenhum tipo de perseguição ideológica. Tenho confiança no espírito democrático do reitor. Ele jamais permitiria qualquer tipo de intolerância na UnB. A comunidade acadêmica deve estar unida em torno da consolidação da UnB no debate de temas de interesse nacional e da cidade, independente do pensamento ideológico que cada um tenha, de acordo com suas convicções ideológicas.


Barbara Freitag-Rouanet
Professora Emérita da UnB
Quem afirmar, em 2011, que a universidade criada por Darcy Ribeiro, há cinquenta anos atrás, agora está sendo "palco das piores cenas de intolerância" , tendo sido "tomada por um patrulhamento ideológico tácito", só pode ser muito desinformado ou muito jovem , ou quem sabe: ambas as coisas.
(...)
Sabendo, por experiência própria, o que é patrulhamento ideológico autoritário, intolerância política, xenofobia, machismo e opressão, venho com esta carta aberta REPUDIAR ENFATICAMENTE a matéria tendenciosa, superficial, injusta e pouco comprovada, veiculada pela VEJA, procurando desqualificar a UnB como um centro de qualificação e excelência das novas gerações brasileiras e denegrir a imagem do seu Reitor, José Geraldo de Sousa Junior, equiparando a instituição e seu representante máximo aos tempos negros da ditadura militar no Brasil. Leia aqui íntegra da carta


Diana Pinho
Diretora da Faculdade UnB Ceilândia
A matéria de Veja não é um ataque ao reitor. É um ataque a todos nós, professores. É um ataque aos alunos que ocupam diariamente nossas salas de aula. É um ataque aos nossos pesquisadores que diariamente produzem conhecimento. A matéria é irresponsável, não tem consistência, não traz dados, descreve como tirano um reitor que tem em seu currículo o respeito à diversidade e o amor à democracia, e se sustenta sobre completa desinformação sobre o funcionamento da instituição. Um reitor não define chefias de curso, quem limpa laboratórios ou compra insumos para pesquisa. Isso cabe às unidades acadêmicas, com sua autonomia, colegiados e gestão própria. O reitor não tem interferência direta nas unidades acadêmicas, que são autônomas. A universidade transcende ideologias e é com essa forma de ação que procuramos produzir conhecimento. Sou dirigente de uma unidade com inúmeros problemas, inclusive tratados periodicamente pela imprensa, mas a solução destes problemas depende de nós próprios. É muito fácil se indignar, mas ao nos indignarmos temos de compreender que é necessário viabilizar e construir alternativas.


Noraí Rocco
Diretor do Instituto de Ciências Exatas, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação
Eu não vejo repressão, nenhuma restrição ao debate, muito pelo contrário. Temos tido a oportunidade de nos manifestar. Nos conselhos, os professores têm toda a liberdade de expressão. Universidade é isso, um debate de ideias. Até no Conselho Editorial da revista DARCY existem divergências de opiniões, mas em prol de um bem comum, em nome de um processo formador mais amplo. Isso eu percebo em todos os conselhos dos quais participo, inclusive no Consuni. Não se concorda com todas as propostas, mas se diverge com argumentos apropriados. Algumas pessoas frustradas recorrem a meios externos para resolver questões típicas do processo interno da universidade. Os editais passam por um crivo institucional, com comissões qualificadas para julgá-los. A implantação do sistema de cotas raciais foi decidida democraticamente, inclusive como uma fórmula experimental. A universidade tem autonomia para fortalecer a política de expansão a atendimento a minorias.


Isaac Roitman
Ex-decano de Pesquisa e Pós-Gradução, ex-diretor da SBPC, professor aposentado do Instituto de Biologia e subsecretário da Criança e do Adolescente do GDF
A meritocracia de pesquisa quem estabelece são as agências de fomento, o CNPq e a Finep. Os critérios de ranking, de fomento usam formação e produção acadêmica. A UnB não tem nada de diferente das outras universidades. Tenho críticas a esses critérios, mas a meritocracia existe. Quanto à perseguição política, isso é altamente equivocado. A reitoria usa o sistema de colegiados, câmaras e conselhos que tratam de assuntos maiores. Eu não vejo a estrutura da universidade como algo que favoreça a perseguição. Pelo contrário, se divide o poder de decisão. A reitoria não se intromete em questões que são próprias dos colegiados internos, como alocação de aulas e espaço de professores.


Aldo Paviani
Geógrafo e professor emérito da UnB
Trata-se de uma confusão. O que mudou foi que a juventude está se fazendo ouvir, está subindo a rampa. Isso muita gente não aguenta. Quando a Geografia foi destruída, participei junto com os alunos de um protesto pela reconstrução do departamento. O reitor José Geraldo recebeu a turma toda. Ele tem uma paciência invejável com protestos. Na Geografia, vence quem tem os melhores argumentos, não existe nada arbitrário. A Reitoria pouco interfere nos institutos. Inclusive, o caso da destruição de nossas salas foi discutido por uma comissão. "Veja" é uma revista deletéria que eu desprezo. Leia aqui íntegra da carta


Ana Frazão
Diretora da Faculdade de Direito da UnB
Diante da reportagem da Veja, venho prestar os seguintes esclarecimentos a respeito das declarações do nosso ex-professor voluntário Ibsen Noronha. O professor Ibsen Noronha, também ex-aluno desta faculdade, foi admitido na condição de voluntário para ministrar a disciplina optativa "História do Direito Brasileiro" e permaneceu nesta condição por alguns semestres até que o Colegiado de Graduação, por indicação dos professores da área, entendeu que a referida disciplina deveria ser extinta. A razão para isso foi de ordem institucional, já que o conteúdo de "História do Direito Brasileiro", de acordo com as diretrizes curriculares do nosso curso, é obrigatório e não podia ser ministrado em disciplina optativa. Leia aqui íntegra da carta


Gustavo Lins Ribeiro
Antropólogo, professor titular e diretor do Instituto de Ciências Sociais
Falar em perseguição hoje na Universidade de Brasília beira o absurdo. O que existe atualmente são grupos politicamente antagônicos, com convicções muito fortes e que muitas vezes divergem. Ainda estamos vivendo o rescaldo de uma crise político-administrativa que atingiu frontalmente a universidade há menos de três anos. Entretanto, e exatamente por isso, o que precisamos neste momento é fortalecer a união em torno da universidade  A tarefa dos grupos de bom senso é sobrepor os antagonismos típicos dos ciclos eleitorais. Do contrário, não vamos tirar a universidade dos problemas em que ela mergulhou. É preciso uma política de sentido único, não de acirramento.


José Carlos Moreira Alves
Ex-ministro do STF e doutor honoris causa pela UnB, título concedido pelo atual reitor

Nunca tive nenhum problema na Universidade de Brasília. Dei minhas aulas sem pressão de qualquer espécie.


David Renault
Diretor da Faculdade de Comunicação
É lamentável a maneira como a Universidade de Brasília foi retratada na reportagem da revista Veja. O grande equívoco da matéria é desconhecer em absoluto a estrutura de funcionamento da universidade, e a própria matéria mostra que não houve qualquer esforço de tentar conhecer esse funcionamento. Em uma universidade, grandes decisões não são tomadas individualmente. Quem aprova projetos são os órgãos colegiados. E se as decisões são polêmicas têm de ser altamente negociadas, como aconteceu recentemente nos casos da Finatec e do Cespe, amplamente discutidos no Conselho Universitário. O maior estrago da reportagem é porque atinge toda a instituição.


Pedro Demo
Sociólogo e professor emérito da UnB
Estão atribuindo à UnB algo que é comum às outras instituições em todo o Brasil: a divisão interna entre esquerda e direita. Foi chato o que aconteceu com a promotora, dela ter sido vaiada e não conseguir falar, mas isso aconteceria em qualquer outra universidade que tivesse cotas raciais. Mesmo em assembleias de professores isso acontece. O reitor José Geraldo está tentando recuperar a dignidade da universidade depois dos escândalos envolvendo as fundações. Essa polêmica só indica que a UnB é um lugar aberto, onde essas discussões acontecem abertamente. Os professores têm total liberdade.


Antônio Teixeira
Professor da Faculdade de Medicina e coordenador do Laboratório Multidisciplinar de Pesquisas em Doença de Chagas
Talvez nunca tenha havido tanto liberdade de livre pensar. Há uma diferença entre o momento atual e aquele de retorno à democracia, quando assumiu o primeiro reitor eleito. Havia então um clima muito forte de liberdade, mas misturado com muita euforia, e as discussões acabaram não se aprofundando. Hoje temos liberdade ilimitada de criar e propor. Precisamos aproveitar isso para discutir as questões sérias, como a escassez de financiamento à pesquisa e a subestimação da pesquisa básica.


Debora Diniz
Pesquisadora do CNPQ, professora do Departamento de Serviço Social
É como pesquisadora que reajo à matéria "Madraçal no Planalto" sobre restrição de liberdade de cátedra na Universidade de Brasília. Estou na universidade há 24 anos: primeiro como estudante, depois como pesquisadora e professora. Jamais enfrentei ou presenciei qualquer restrição à liberdade de expressão. Desafio os sete professores entrevistados na matéria a apresentarem evidências, e não rumores, sobre uma infração constitucional desta magnitude.


Lourdes Maria Bandeira
Professora do Departamento de Sociologia, ex-subsecretária de Políticas para Mulheres da Presidência da República
Já ocupei muitos cargos no departamento e na universidade, e nunca sofri repressão nem às minhas pesquisas nem ao meu trabalho. Em sala de aula, sempre disse o que penso. Do ponto de vista formal, a própria estrutura administrativa da UnB não permite perseguição política. Todas as unidades têm autonomia de pensamento e isso sempre foi preservado.


José Manoel Morales Sanchez
Diretor da Faculdade de Arquitetura
Atacar a Universidade de Brasília confere status de poder a quem ataca, porque é uma instituição forte, com uma produção científica e cultural importante no contexto nacional, e, portanto, um lugar onde qualquer jovem gostaria de estudar. Ser aluno da UnB é um sonho e um orgulho. Em pleno processo de expansão acelerada, mudanças são necessárias e, muitas vezes, incomodam. Mas basta olhar a política da atual administração para ver que não se trata de um clube de amigos, tampouco de um ambiente de intolerância. Os editais de apoio às pesquisas científicas, instituídos pela Reitoria, são um exemplo disso, porque representam um marco institucional, um processo amplamente democrático.


Paulo Salles
Professor do Instituto de Ciências Biológicas e presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do GDF
Na UnB a meritocracia funciona e não há nenhuma injunção política. As dificuldades dos pesquisadores não estão na UnB, mas no sistema, com regras de ministérios que não são aplicáveis a uma universidade. No meu trabalho à frente da FAP-DF sempre tive apoio de todos os professores, que compõem uma comunidade de pessoas altamente qualificadas e dispostas a ajudar quem precisa.


Roberto Ventura Santos
Coordenador de Laboratório de Geocronologia
Existem posições discordantes na universidade. Mas não existe restrição a comentários e opiniões. Os debates nos colegiado são sempre abertos, às vezes até demais. Até acho que algumas decisões não devem ser feitas no coletivo, pela sua natureza. Mas os conselhos estão funcionando. Não existe intolerância, mas uma polarização política. Até hoje, muita gente não conseguiu superar o último processo eleitoral. Nas reuniões do Consuni, muitas vezes as pessoas não têm a devida deferência ao cargo de reitor. Acho que isso é até uma decorrência da própria postura do reitor, que é muito aberta.


David Fleischer
Professor emérito do Instituto de Ciência Política

Os conselhos têm funcionado. O que aconteceu com aquela promotora xingada não deveria acontecer em nenhuma universidade do mundo, mas isso foi fora da estrutura administrativa oficial. Tem muitas meias-verdades no artigo da revista Veja, como no caso do professor Márcio Pimentel. Ele assumiu a Finatec num momento muito grave, quando a fundação estava envolvida em denúncias e logo após a queda do ex-reitor Timothy Mullholland. Isso foi um erro político grave dele que não foi mencionado. Esse é um exemplo de como a Veja só contou metade da história.


José Carlos Córdova Coutinho
Professor aposentado da Faculdade de Arquitetura
Fui professor por 37 anos e nunca me afastei completamente. Acompanho tudo o que sucede. Houve repressão na ditadura, mas isso já passou. De uns tempos para cá, mesmo em tempos mais adversos, temos notado um debate aberto, franco, às vezes com alguns excessos, mas da atual gestão não há a mínima restrição. O reitor justifica a frase do Guevara. É firme e tem tomado as medidas para restaurar a respeitabilidade da universidade sem perder a elegância, a compostura e o clima de inteira liberdade. Ele tem sido de uma ética e correção invejáveis. Na Faculdade de Arquitetura, nunca houve discriminação em relação à pesquisa, mas há divergência em relação a conceitos. Trata-se na verdade de um debate acadêmico muito saudável. O professor Flósculo é polêmico, ele divide opiniões. Não é de se surpreender que ele tenha divergências com os colegas, o que não anula seus méritos como professor. Ele é radical em suas opiniões, ele freqüentemente cria divergências acadêmicas.


Vicente de Paula Faleiros
Professor Doutor Emérito da UnB
A reportagem sobre a Universidade de Brasília está totalmente distorcida, pois somente foram ouvidos depoentes contrários à atual gestão democrática, sem nenhuma prova. A reportagem desconhece a organização de uma universidade, pois os departamentos têm autonomia para contratar professores, fazer funcionar laboratórios, autorizar capacitação, cabendo à Reitoria supervisionar as atividades dentro da lei. A liberdade de cátedra e de expressão faz parte da Universidade de Brasília e está assegurada no seu Estatuto e na prática cotidiana, pois há constantes expressões favoráveis e contrárias sobre quaisquer temas. A UnB é das universidades mais bem avaliadas do Brasil. Que sejam ouvidos os democratas e não apenas a minoria conservadora e raivosa.


Carmenísia Jacobina Aires
Diretora da Faculdade de Educação
Lamento profundamente a matéria publicada por Veja, porque ataca a universidade como um todo, e com um profundo desconhecimento do que é e do que representa a instituição. A universidade é uma instituição complexa e diversa. Essa diversidade é da natureza da instituição e é dela que nasce o conhecimento produzido e repassado diariamente. É claro que enfrentamos dificuldades internas, de gestão, especialmente em um cenário de expansão das atividades, do crescente número de professores, alunos e de produção do conhecimento. Um crescimento que se confronta com problemas como a ausência de fundações, por exemplo, gerada por uma crise político-administrativa que ainda repercute nos dias atuais. É claro que isso gera frustração no corpo docente e de pesquisadores, mas nenhum destes problemas tem o reitor como responsável. O reitor não determina nem mesmo a escolha de representantes para o conselho superior da universidade, que é quem toma as grandes decisões. A mais grave conseqüência da reportagem é a insegurança que pode gerar em nossos estudantes, porque expõe de maneira completamente distorcida a imagem daqueles que são seus mestres”.


Marcelo Bizerril
Diretor da Faculdade UnB Planaltina
A universidade se sustenta em seus inúmeros colegiados e conselhos. E nos colegiados e conselhos dos quais participo como docente e dirigente jamais ouvi, suspeitei ou me foi relatado qualquer situação que soasse ou se parecesse com a suposta perseguição política pela atual administração. É muito estranho que a reportagem trate de algo que não percebemos nem de longe no cotidiano da universidade. Temos todas as dificuldades de qualquer instituição pública brasileira.


Simone Perecmaniss
Vice-diretora da Faculdade de Agronomia e Veterinária
A direção da FAV esclarece que em nenhum momento houve perseguição à professora Concepta McManus Pimentel, citada na reportagem, e que a mesma encontra-se em outra instituição para acompanhamento de cônjuge e não por motivos políticos ou de outra ordem.
(...)
A direção da Faculdade de Agronomia e Veterinária faz questão de repudiar o teor completo da matéria publicada na Veja, principalmente pelo tom jocoso e nada respeitoso como foi tratada a Universidade de Brasília, cuja excelência acadêmica e ambiente democrático são referência para todo o Brasil. O que a revista deixou de mostrar na matéria publicada foi a UnB que após ter vencido a crise vivenciada em 2008, reativou seus conselhos e colegiados, reiniciou sua jornada democrática e começou a discutir alguns de seus temas mais polêmicos. Nestes últimos dois anos, a universidade praticamente transformou o conceito de extensão anteriormente utilizado, continuou produzindo ciência e tecnologia, fortaleceu e ampliou o atendimento aos discentes na graduação e na pós-graduação e hoje encontra-se reestruturando seu projeto pedagógico político institucional, para encarar o futuro a ela reservado, como instituição de ensino de pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada. Como membros da comunidade UnB, esperamos a retratação oficial da revista, após a difamação de nossa universidade. Leia aqui íntegra da carta


Adilson Gurgel de Castro
Educador jurídico e membro do Conselho Nacional do Ministério Público
Conheço o cidadão brasileiro e atual Magnífico Reitor da Universidade de Brasília José Geraldo De Souza Junior, há muitos anos. Em boa parte desses, trabalhei pessoal e diretamente com ele, em especial: na Comissão do MEC responsável pela aplicação do antigo ‘Provão’ em Direito e na Comissão Nacional de Ensino Jurídico, do Conselho Federal da OAB. Por isso, posso testemunhar sua competência, seu profundo conhecimento de Filosofia, de Filosofia do Direito e de Educação Jurídica, bem como sua maneira afável e cordial no tratar com as pessoas e sua fidalguia com todos. Estas são as razões pelas quais a ele hipoteco minha solidariedade em face da infeliz, lamentável e tendenciosa reportagem denegridora da sua imagem, publicada na edição desta semana da revista Veja.


José Carlos Moreira da Silva Filho
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS (mestrado e doutorado)
É lamentável que a revista Veja publique reportagem tão leviana sobre o atual momento da Universidade de Brasília (Edição 2224). As afirmações no estilo "certeza absoluta" que a reportagem faz são baseadas apenas em depoimentos esparsos de pessoas que são declaradamente contrárias politicamente à atual gestão da UnB. Não vi na reportagem nenhum esforço em ouvir o outro lado, mais parecendo um tribunal inquisitorial no qual o réu já está condenado desde o início. Ao estilo da denúncia  irresponsável várias afirmações são apresentadas sem nenhuma prova.


Luiz Cláudio Cunha
Jornalista. Foi chefe das sucursais de Porto Alegre e Brasília da revista Veja, entre 1972 e 1983
A universidade, por definição, é o espaço da tolerância e do livre pensamento. É sempre o primeiro alvo dos sistemas arbitrários, dos regimes de força, dos tiranos de plantão. Localizada no quintal do poder, a Universidade de Brasília foi o centro acadêmico mais atingido pela ditadura. Perseguiram e exilaram Darcy Ribeiro, seu primeiro reitor. Torturaram e mataram Honestino Guimarães, seu líder estudantil, ainda hoje um dos desaparecidos políticos do país. Teve o seu campus invadido pelo Exército e padeceu o comando de ferro por nove anos de seu reitor mais longevo, um capitão-de-mar-e-guerra ali ancorado pelos militares para afogar a rebeldia universitária. A UnB foi um bravo centro de resistência, nos anos de chumbo, e retoma sua função de debate revigorante e aceso conflito nos anos de liberdade. Divergência e consciência são argila e massa que fazem esta Universidade viva, criativa e crítica. Nenhuma universidade vive, sobrevive ou convive com madraçais do fundamentalismo intransigente e sectário que deprime e oprime - na religião, na política, na ideologia e até no jornalismo.


Carlos Chagas
Jornalista e professor titular aposentado da Faculdade de Comunicação
Em 1977, havia muita intolerância e repressão, mas não adiantou nada. Prevaleceu a democracia e tem sido assim desde então.


Sigmaringa Seixas
Ex-deputado federal e advogado de estudantes da UnB na crise de 1976 e 1977
Por princípio, sou a favor de uma universidade aberta ao debate em qualquer tema e onde as ideias circulem livremente. Assim a UnB foi concebida por Darcy Ribeiro. Tornou-se, entretanto, durante a ditadura militar, em palco de experiências de um processo fascista. Estudantes e professores foram presos de alguns assassinados. Ali estava presente a intolerância. Conheço José Geraldo há mais de 30 anos. Advogamos juntos, em escritório fundado por meu pai, inclusive para estudantes e professores da UnB perseguidos naquela época. A marca do José Geraldo sempre foi a do equilíbrio, do bom senso, e da tolerância. Quem o acusa de intolerante, ou não o conhece, e está sendo leviano, ou o conhece, e está agindo de má-fé.


Gilca Ribeiro Starling Diniz
Decana de Gestão de Pessoas
Registro aqui meu orgulho de participar desta gestão e aprender todos os dias com a postura do professor José Geraldo, testemunho quase sacerdotal e com esta visão humanística e dialética do mundo. Como diz Edgar Morin no seu pensamento complexo: “é preciso saber que vivemos num plano egocêntrico e num plano cosmocêntrico”, motivo pelo qual acredito que viver é passar do cotidiano mais simples, contraditório, competitivo e antropocêntrico em que estamos inseridos para um outro de natureza planetária, solidária e com respeito às diversidades. Creio ser este um dos nossos maiores desafios a frente da gestão da UnB.


Diretório Central dos Estudantes da UnB Honestino Guimarães Gestão Amanhã Vai Ser Maior
A mesma revista que, em 2005, elogiou o protagonismo do movimento estudantil ao combater Severino Cavalcanti, hoje define como manobra política ilegal a eleição de uma reitoria de forma paritária (com pesos iguais para professores, estudantes e técnicos-administrativos). Esquece que a "manobra" foi aprovada em conselho de maioria docente, composto pelas direções de todas as faculdades e institutos, eleitas autonomamente, como prevê a arcaica Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Mais grave ainda, a revista parece ignorar que a paridade foi uma conquista política do movimento estudantil de 2008, quando derrubamos uma reitoria corrupta, cujos contratos e movimentações ainda hoje são investigados pelo Ministério Público da União. Em vez disso, a Veja atribui a ida do ex-professor da UnB, decano da antiga reitoria no período Timothy e ex-diretor da polêmica Finatec, Márcio Pimentel, para o Rio Grande do Sul, a uma suposta perseguição política. A revista, que se diz ferrenha defensora do combate à corrupção, tenta transformar investigados em vítimas. Atitude esperada da mesma publicação que, em 2009, identificou o ex-governador do DF, José Roberto Arruda, como símbolo da volta por cima. Não esperamos nada diferente desta revista, mas é necessário repudiar o falso rótulo da imparcialidade adotado, formador de opinião de parcela considerável de nossa população, cujo acesso a meios de comunicação plurais é extremamente restrito. Veja aqui íntegra da carta


Célia Maria Ladeira Mota
Jornalista, professora da Faculdade de Comunicação
As acusações feitas pela reportagem Madraçal no Planalto agridem profundamente a verdade que é praticada no campus da UnB: a de plena liberdade de expressão. É preciso conhecer a estrutura organizacional da universidade que vigora desde o fim da ditadura para entender que não há como o reitor José Geraldo de Souza perseguir professores. O regime de decisão é colegiado, desde os departamentos às faculdades e institutos.Assuntos como escolha de disciplinas e currículos são decididos diretamente no departamento em questão. José Geraldo de Souza, ex-diretor da Faculdade de Direito, é reconhecido por seus colegas como uma pessoa de profunda posição democrática, autor de teses sobre o Direito Achado na Rua, em que defende a Justiça ao alcance dos mais humildes. Esta revista deve profundas desculpas não só ao reitor da UnB, mas a toda comunidade acadêmica, que tem se expressado livremente em sua gestão. Não tenho procuração para defender ninguém, mas não posso aceitar uma reportagem que agride de forma desonesta e maldosa a pessoa do reitor da UnB. O que o repórter fez não é jornalismo, mas lobby de algum grupo insatisfeito. Leia íntegra da carta


Neio Campos
Professor da Geografia e Diretor do Centro de Excelência em Turismo
A reportagem da última edição da revista Veja mostra mais uma vez como a farsa se repete como farsa. A reportagem quer enganar seus leitores, passando a eles uma falsa imagem da Universidade de Brasília. O que soa como matéria plantada para macular a imagem da instituição. O que é ainda mais inconcebível, pois demonstra, aí sim, uma intolerância ao jogo democrático. Ora, dizer que a nossa UnB é intolerante com a sua própria comunidade é cair no lugar comum dos falsos consensos. Então, por que a revista não ouviu professores com visão contraposta aos seus entrevistados? Por que não ouviu alunos? Por que não ouviu funcionários? Somos uma comunidade, não apenas de professores. Leia aqui íntegra da carta


Luís R. Cardoso de Oliveira
Professor titular de Antropologia e chefe do Departamento de Antropologia

Expresso minha solidariedade em relação à reportagem do último número da Revista Veja. Além de inverídica e abusiva, a reportagem não se preocupa em ouvir outras visões ou a própria administração da UnB, salvo pela citação descontextualizada de sua referência aos professores, devidamente esclarecida na carta dirigida esta manhã aos professores, funcionários e estudantes de nossa Universidade. Sinto-me particularmente à vontade para expressar este apoio inequívoco ao reitor neste episódio pois temos algumas divergências importantes no que concerne a modelos de gestão universitária. Não obstante, faço questão de reconhecer a abertura ao diálogo e à pluralidade de ideias em sua gestão. 


Ricardo Farret
Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB
  
Com muito orgulho, fui professor da UnB por quase 40 anos, e fiquei chocado com as leviandades publicadas pela revista Veja. Pessoalmente, não conheço o reitor, mas, pelo que vivenciei na UnB, as críticas são maldosas e, sem dúvida, motivadas por interesses nada acadêmicos. Que o sistema de mérito ainda está longe dos parâmetros recomendáveis, é um fato, Mesmo assim, é inadmissível admitir as insinuações da Veja.


Fernando Edmundo Chermont Vidal
Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental
 
Não li a reportagem a qual nosso reitor responde, vou procurar lê-la, nem sei quem são os seis professores ouvidos pela revista Veja. Só sei que a dita revista e useira e vezeira em atacar Brasília. Se esquece que aqui estão brasileiros de todas as partes e que esta cidade não tem a culpa de ter acolhido alguns que aqui praticaram toda sorte de "patifarias". Agora, ao que parece, resoveu atacar a nossa UnB. Conheço o reitor há muito, forjado nas lutas pela redemocratização de nossa querida Universidade. Em quem acreditar, no que que fala José Geraldo ou nos seis professores que não sei ainda quem são e na Revista Veja? Prefiro, mesmo ainda sem ler a reportagem, ficar com nosso Reitor.


Luis Afonso Bermudez
Professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica e diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB
Gostaria muito de me juntar às inúmeras mensagens de solidariedade. A forma não republicana e não democrática como revista se referiu a nossa instituição é de total desconhecimento do dia a dia acadêmico e administrativo. Sim, temos problemas, mas temos a experiência e a vivência para suplantá-los com participação de todos os seguimentos internos e externos a UnB.


Dioclécio Luz
Mestre em Comunicação pela UnB
É lamentável que nos últimos anos a revista Veja tenha resolvido enlamear sua própria história – de defesa da democracia – para se tornar um arauto dos interesses do que existe de mais atrasado em termos de poder no país. E aqui, antes de tudo, faço a defesa do jornalismo, e não do reitor, a quem não conheço pessoalmente. Quem estuda jornalismo percebe o enquadramento puramente ideológico da matéria: o uso de termo arcaico e definidor na manchete ("madraçal"), a escolha dos depoimentos (todos contra o reitor), a seleção de fotos (a principal mostra um aparente caos numa assembléia), a crítica ao fato dos estudantes participarem da escolha do reitor, a colocação de "especialista" para criticar os métodos do reitor, a colocação da foto do "especialista", numa pose centrada, professoral, acima da foto do reitor. Tudo isso a gente aprende a ver quando estuda jornalismo. E constata que temos aqui propaganda. Quanto a nós, que estudamos e pesquisamos e damos aula de jornalismo, devemos fazer o que nos cabe: mostrar na sala de aula como não se deve fazer jornalismo.


Fernando Seabra Santos
Ex-reitor da Universidade de Coimbra e Professor Visitante Estrangeiro da UnB
Talvez não fique bem a um Professor Visitante esta tomada de posição sobre um assunto da vida interna da UnB, cujos detalhes dificilmente conheceria ao fim de apenas três meses de permanência. Mas, porque sei avaliar o peso da solidão, nos momentos em que tudo parece nos cair em cima, não resisto a enviar-lhe esta mensagem que é também uma afirmação pessoal de apreço e consideração e uma manifestação de pertença a uma Universidade que me acolheu bem e na qual me está a ser muito agradável trabalhar. Há uma altura em que os universitários descobrem as virtudes da comunicação social sensacionalista e a aproveitam em detrimento da discussão interna, séria, dos problemas, em busca das possíveis vias de solução. E há uma outra em que, mais amaduridos, percebem, por detrás do eventual sucesso mediático de curto prazo, as consequências devastadoras para o bom nome da instituição e de todos os que lá trabalham, incluindo eles próprios. Na minha opinião, provavelmente mal informada, este episódio resulta não tanto de reacção às alegadas perseguições, mas mais da vontade de alguém, talvez até de fora da UnB, com interesses específicos de natureza política e/ou comercial, em deitar abaixo o prestígio de uma grande Universidade pública. E a Universidade, até porque não é verdade o que eles afirmam nem pode utilizar o mesmo tipo de armas, está sempre numa posição vulnerável a estes ataques.


Vanessa Maria de Castro
Professora da Faculdade UnB Gama e do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB
Foi com profunda indignação que li a matéria da Revista Veja. A UnB já foi palco de diversas lutas e transformações políticas e sociais que este país já viveu, e a história não será diferente agora. Somos diversos, diferentes e isso compõem o universo acadêmico. Venho solidarizar-me neste momento e acredito que cabe fazer a seguinte pergunta, a quem interessa a matéria da Veja? Ou melhor, a quem interessa destruir a imagem da UnB no conjunto da sociedade?


Rodrigo Dantas
Professor do Departamento de Filosofia da UnB
Segundo a revista Veja, “a liberdade de expressão sempre foi um valor sagrado na universidade, mas na UnB ela foi revogada para que em seu  lugar se instalasse a atitude mais incompatível que existe com o mundo acadêmico: a intolerância”. Para ela, a UnB teria se transformado num “madraçal esquerdista em que a doutrinação substituiu as atividades acadêmicas essenciais”. Para a Veja, não importa a quantos anos-luz este enunciado possa estar da realidade concreta de quem vive, estuda e trabalha cotidianamente na UnB: basta-lhe apenas utilizar o poder material de fabricar a (sua) própria realidade em imagens e palavras e fazê-la circular entre milhões de pessoas para transformá-la numa verdade que não  poderá ser refutada pela pura e simples ausência dos meios materiais necessários para isso.
(...)
Para os que vivem, estudam e trabalham na UnB, a reportagem da Veja pode ser facilmente desmentida pelos fatos porque podemos fazer nosso próprio juízo a partir de nossa própria experiência. Leia aqui íntegra da carta.


Maria Francisca Pinheiro Coelho
Professora do Departamento do Sociologia e ex-presidente da ADUnB
A universidade é o espaço da autonomia e da diversidade. Sua excelência se manifesta na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A instituição não pode se contaminar por posições político-ideológicas, sob o risco de comprometer suas atividades de produção e transmissão do conhecimento. As pessoas que têm percepções diferentes deveriam procurar divulgar suas ideias em um debate amplo e aberto no espaço público em busca do convencimento. Não pelo ataque. A matéria da Veja, que deveria informar e não deformar, transmite uma visão unilateral e tendenciosa da UnB. Por isso, não contribui para a compreensão dos seus problemas hoje. O maior deles, em minha opinião, é a ausência de uma discussão sobre o comportamento dos alunos, sua responsabilidade na sala de aula e sua visão de mundo, que só nos chega pelos trotes autoritários e machistas e pelas festas desmedidas no campus. A liberdade de expressão e manifestação não deve ser confundida com o poder fazer tudo. Mas essa é uma hora de união de todos para defender a UnB contra uma matéria jornalística ofensiva ao dirigente máximo da instituição. Quem sabe crescemos todos nesse momento. Não é só o passado de luta e de resistência da UnB que deve ser rememorado com glória. Aliás, vangloriar o passado e criticar o presente é também uma forma de não enfrentarmos os problemas e desafios atuais.


Amílcar Queiroz
Professor do Instituto de Física
Sou testemunha de que a UnB está muito mais democrática, aberta e livre do que no meu tempo de estudante. O funcionamento pleno do Consuni é prova indiscutível desse fato. Nem havia Consuni atuante em algumas gestões anteriores. A UnB é um espaço em que podemos sim pensar livremente, trabalhar tranquilamente. E a massa humana e intelectual que tenho encontrado na UnB é impressionante. Agora, a UnB parece ter vivido uma enorme parte de sua história tendo grupos de pessoas que parecem viver por futricar contra a UnB fora da UnB. Eu, pelo contrário, sou orgulhoso dessa minha Alma Mater, e sempre propagandeio as melhorias e os esforços de melhoria de nossa comunidade fora da UnB. Quantas universidades no mundo possuem um espaço tão democrático quanto o Minhocão, onde todos se encontram diariamente (físicos, sociólogos, filósofos, matemáticos, biólogos, psicólogos, enfim, todos). A vontade e o entusiasmo dos estudantes é certamente o melhor elixir contra essa tentativa de impor a pasmaceira geral. Viva o Consuni. Viva a UnB.


Tania Cristina Rivera
Ex-professora do Instituto de Psicologia da UnB e docente da Universidade Federal Fluminense

Gostaria de expressar minha indignação pela matéria de Veja. Todos que conhecem o reitor José Geraldo de Sousa Junior e conhecem verdadeiramente a história da UnB têm clareza a respeito de sua postura e de suas realizações.


Cezar Britto
Presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB, conselheiro do CDES e ex-presidente da OAB Nacional

A exata compreensão do relevante papel do saber como instrumento de libertação faz José Geraldo se confundir com a própria instituição que dirige. Ambos estiveram presentes nos vários episódios em que a cidadania precisou de amparo, defesa, resistência e coragem democrática. Nunca cometeram o grave vício da omissão ou mesmo da ação dolosa. Aliás, José Geraldo foi convocado exatamente para impedir que a sua UnB trilhasse por trajetos não republicanos. Nesta hora, não recusou ao bom combate de fazer da universidade pública um espaço fundamental para garantir a independência, autonomia e altivez daqueles que acreditam ser outro mundo é possível. Pessoalmente, aprendi o direito através do olhar de José Geraldo. Não apenas porque fez dele nascer das ruas, mas, sobretudo, por ali morar. Aprendi, ainda, a admirar o direito pela trilha construída por José Geraldo. Não apenas em razão de sua ética, mas, especialmente, de sua ação cívica exemplar. Aprendi, também, a perceber o direito convivendo com José Geraldo na OAB. Não apenas em razão do seu elegante trato pessoal, mas, sem qualquer dúvida, quando faz do seu discurso inclusivo uma prática social. Compreendi, então, que José Geraldo não é daqueles que passa pela vida como se fosse invisível e insensível às coisas do seu tempo. Ele não chega e parte sem deixar rastro ou qualquer sinal de sua presença. Não é vento que sopra apenas para dizer que soprou. O que ele cria tem corpo bem definido e nítido, que não se dissipa diante do nosso olhar, mesmo quando o feitiço do tempo faz desmoronar corpos, ideais e convicções.  Não tenho dúvida em afirmar, publicamente, que José Geraldo faz da UnB a sua própria história de ética, democracia e compromisso social.


Judith Karine Cavalcanti Santos
Pesquisadora do Direito Achado na Rua e professora da Universidade Católica de Brasília
A matéria "Madraçal no Planalto" me parece incoerente. Considerar que o atual Reitor foi eleito por 'manipulação' do voto dos/as estudantes é aviltante. Primeiro porque a eleição foi uma das mais significativas do ponto de vista da participação e da mobilização dos diversos setores da Instituição. Depois porque afirmar isso é negar a independência e a autonomia do movimento estudantil, especialmente o movimento estudantil de Brasília, tão
atuante no cenário político nacional. Além disso, desconsidera a trajetória acadêmica de José Geraldo de Sousa Júnior, reduzindo sua atuação à política partidária... nada se fala sobre sua ativa militância em favor dos direitos humanos, sua atuante disposição acadêmica [inclusive como diretor do curso] e sua sensibilidade, sim, sua sensibilidade para o diálogo com os diversos setores da Universidade. José Geraldo sustenta que o direito pode e deve ser construído pela sociedade em seus próprios espaços e tempos, como expressão de sua liberdade e é assim que ele tem
conduzido essa gestão.


Carlos Nogueira da Costa Junior
Mestre e doutor em Geociências pela UnB
Fui aluno de mestrado e doutorado e Professor Temporário no Instituto de Geociências da UnB (uma das referências das Geociências no Brasil) com muito orgulho e participado intensamente da vida acadêmica quando lá estava. Vale aqui destacar que o processo de paridade não se iniciou na atual gestão. Por que a reportagem de Veja não cita isto? A paridade é um assunto há muito discutido nas Universidades Brasileiras, tendo sido proposto já em 1985, já usado em outros momentos na UnB. Cristovam Buarque, Antônio Ibanez e João Claudio Todorov foram indicados dessa forma. Depois da eleição de Todorov veio a aprovação da lei que implantou a ponderação de 70% para professores e 15% para alunos e funcionários nas eleições de dirigentes das instituições federais. O atual debate remete à aprovação do artigo 207 da Constituição Brasileira de 1988, que determina que as universidades tenham autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial. E, discute também, sobre a questão da eleição de reitores, cabendo aos órgãos superiores de cada instituição a escolha do modelo, se paritário, universal ou misto. A última eleição na Universidade de Brasília foi disputada com seis concorrentes, que acataram a decisão do Conselho Universitário, ou seja, voto paritário, decidindo participar do pleito, inclusive um dos professores citados como perseguido na reportagem, disputando o segundo turno. Quanto ao processo de paridade, este foi amplamente discutido dentro da comunidade universitária e repercutido na mídia, pois a Universidade de Brasília na época era manchete diária das páginas policiais da mídia falada, escrita e televisada. A universidade, seja ela qual for, sempre será palco de disputas ideológicas. O seu representante máximo é, e sempre será, eleito por uma composição de forças (não existe unanimidade no meio acadêmico), faz parte da democracia o livre pensar, por isso tem esse nome. A UnB é polemica, revolucionária e diversificada desde a sua
origem. Veja aqui íntegra da carta.  

Detlef Hans Gert Walde, diretor do Instituto de Geociências da UnB:
A Direção do Instituto de Geociências jamais tomou qualquer medida que criasse obstáculos ao desenvolvimento aos trabalhos de pesquisa do professor Márcio Martins Pimentel, a qualquer tempo (antes, durante e depois de sua permanência nesta unidade). O IG jamais aumentou a carga horária do professor mencionado, tão pouco suspendeu os serviços de manutenção (limpeza) do laboratório sob sua coordenação, de tal forma que prejudicasse no desenvolvimento de suas atividades de pesquisa e extensão. O IG, conhecedor de valor profissional do docente aqui mencionado todo apoio à sua permanência nesta unidade. (leia aqui carta na íntegra).

Comissão Nacional de Educação Jurídica do Conselho Federal da Ordem dos Advogados Brasil

Lemos com estupefação a matéria inserida na edição desta semana (nº 2224), da Revista VEJA, na qual, coloca em dúvida a competência, a responsabilidade, a dedicação e o profundo conhecimento e experiência auferidos em longa carreira acadêmica e profissional do Professor Doutor José Geraldo de Souza Júnior.

O Professor Doutor José Geraldo de Souza Júnior teve trajetória importante, produtiva e contributiva nos destinos da Comissão Nacional de Ensino Jurídico, hoje, Comissão Nacional de Educação Jurídica, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, como seu membro e seu vice-presidente, em alguns mandatos.

Sempre dedicou seu trabalho ao Ensino do Direito e à Educação Jurídica, como professor, mestre e doutor nessa área tão importante do conhecimento, o Direito.

Ainda que desconhecendo o conteúdo meritório da discussão envolvendo a matéria jornalística, é importante registrar, em nome da Comissão Nacional de Educação Jurídica, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que a pessoa do Professor José Geraldo de Souza Júnior merece nosso respeito e nossa solidariedade, as quais hipotecamos, por tudo quanto de mais relevante produziu, como Diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, como membro da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação para a organização e aplicação do Exame Nacional de Cursos (Provão) e pela sua atuação dentro desta Comissão Nacional de Educação Jurídica, até a sua posse como Magnífico Reitor da Universidade de Brasília.

Daniela Teixeira, conselheira federal da OAB e formada há 15 anos na UnB 

A reportagem sobre a Universidade de Brasília causou indignação a todos que a conhecem, frequentaram seus bancos e reconhecem no Professor José Geraldo o mais adequado reitor para uma Universidade moderna e de vanguarda. O primeiro lugar da UNB no Exame Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, reconhecido na mesma semana em que divulgada a citada reportagem, é o melhor
exemplo de sua excelência acadêmica.

Boaventura de Sousa Santos
Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade; Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa e membro do Núcleo Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe)

Quero manifestar a minha solidariedade ante o ataque vil da Veja e felicito-te pela firmeza da tua resposta.

Lucília Helena do Carmo Garcez
Escritora, doutora em Linguística Aplicada e ex-professora titular da UnB

Fui aluna e professora do Instituto de Letras da UnB. Conheci ali os seus anos de chumbo, fui amiga de Honestino. Quando a instituição à qual dediquei toda a minha vida é atacada, sinto-me pessoalmente ferida. Parece que alguns colegas não pensam assim e contribuíram para denegrir nossa imagem. Ao contrário do que afirma a VEJA, nunca a UnB viveu um clima de maior liberdade de pensamento e de ação, pois a academia é o espaço da convivência harmoniosa dos contrários.

O professor José Geraldo, reitor da UnB, além de pesquisador exemplar, é defensor histórico  incontestável da liberdade de expressão, da tolerância e dos valores democráticos, e merece um pedido de desculpas por parte da redação da revista.  Lamento que a revista VEJA, mesmo com a parcialidade que lhe é habitual, tenha publicado matéria tão tendenciosa, sem fundamentos, com interesses obscuros, a respeito de nossa Universidade, que se coloca entre as melhores do Brasil. Tenho e continuarei sempre tendo orgulho de pertencer aos seus quadros.

Em tempo, como meu domínio é a linguagem, chamo a atenção para o fato de que a palavra “madraçal” (usada no título e no corpo da reportagem) , além de ser arcaísmo em desuso, constitui seleção lexical politicamente incorreta, já que faz alusão negativa  à cultura dos muçulmanos. A VEJA deve rever seus critérios de escolha dos redatores e de seleção  dos temas da pauta. Chega de tentar destruir os valores brasileiros.

João Virgílio Tagliavini
Departamento de Educação UFSCar

Para mim, na área dos processos de ensino e aprendizagem do Direito (que temos para o que queremos), o Prof. Dr. José Geraldo é uma luz de que necessitamos. Não vou entrar nos méritos internos de nossos colegas da UnB, pois não conheço; mas conheço e confio numa figura do porte republicano (aquele que não confunde o público com o privado) de José Geraldo. Eu já aprendi e quero continuar aprendendo muito com ele.

Aquela revista, cujo nome não quero mencionar, baseou-se em que "amostra científica" para afirmar o que afirmou? Eu leciono num curso de formação de pedagogos para alunos oriundos de movimentos sociais, aqui na UFSCar, bancado pelo PRONERA.

Aquela revista, na ocasião, publicou que a UFSCar havia aberto um curso de pedagogia para formar comunistas! Não é séria, não se pode dar bola para ela.

Comissão Nacional de Educação Jurídica do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

Lemos com estupefação a matéria inserida na edição desta semana (nº 2224), da Revista VEJA, na qual, coloca em dúvida a competência, a responsabilidade, a dedicação e o profundo conhecimento e experiência auferidos em longa carreira acadêmica e profissional do Professor Doutor José Geraldo de Souza Júnior.

O Professor Doutor José Geraldo de Souza Júnior teve trajetória importante, produtiva e contributiva nos destinos da Comissão Nacional de Ensino Jurídico, hoje, Comissão Nacional de Educação Jurídica, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, como seu membro e seu vice-presidente, em alguns mandatos.

Sempre dedicou seu trabalho ao Ensino do Direito e à Educação Jurídica, como professor, mestre e doutor nessa área tão importante do conhecimento, o Direito.

Ainda que desconhecendo o conteúdo meritório da discussão envolvendo a matéria jornalística, é importante registrar, em nome da Comissão Nacional de Educação Jurídica, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que a pessoa do Professor José Geraldo de Souza Júnior merece nosso respeito e nossa solidariedade, as quais hipotecamos, por tudo quanto de mais relevante produziu, como Diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, como membro da Comissão de Especialistas do Ministério da Educação para a organização e aplicação do Exame Nacional de Cursos (Provão) e pela sua atuação dentro desta Comissão Nacional de Educação Jurídica, até a sua posse como Magnífico Reitor da Universidade de Brasília.

Sindjus/DF

A revista Veja, o principal veículo das vozes conservadoras no Brasil, aprontou mais uma das suas, publicando, no último final de semana, uma reportagem tendenciosa e mentirosa sobre a reitoria da UnB, atualmente, sob a regência de um nome que é referência em matéria de Educação e do estudo do Direito não só em Brasília: José Geraldo de Sousa Junior. Dizer que a universidade que se tornou exemplo de luta pró-democracia durante o regime militar sofre agora com uma administração marcada pela intolerância não passa de uma clara tentativa de minar uma reitoria que, desde o princípio de sua gestão, escolheu o caminho do diálogo; da abertura à participação de professores, alunos e funcionários; da fomentação de uma cultura de cidadania acadêmica.

Como o próprio reitor José Geraldo questiona no início de sua nota pública, “por que a revista Veja atacou a Universidade de Brasília na reportagem Madraçal no Planalto?” Coisas de uma direita autoritária que não admite a evolução do país e a democratização das universidades. O Sindjus, que tem orgulho de contar com a colaboração de José Geraldo em suas publicações e congressos, por meio desta nota, repudia a matéria da Veja e se solidariza com o reitor, com os estudantes, com os funcionários e com os demais professores e membros do Conselho Universitário que fazem da UnB uma universidade democrática e cidadã.

Como presidente do Conselho Universitário, José Geraldo, com toda honra que lhe cabe, chamou para si toda a responsabilidade de defender a instituição. Uma instituição que faz parte do patrimônio cultural-educacional-social do povo brasiliense. Um patrimônio que temos o dever de ajudar a preservar. Não podemos admitir que uma revista acostumada a criar factóides tente destruir uma de nossas principais riquezas. José Geraldo não surgiu de um golpe nas urnas como diz a matéria. Foi eleito justa e democraticamente pela comunidade acadêmica. Desde 1978, ele faz parte da história da universidade.

O que incomoda a revista é que a UnB, sob administração do atual reitor, está voltando a ter o protagonismo dos velhos tempos. A matéria da Veja, demonstra que a revista continua firme em sua linha editorial, criticando os movimentos sociais e populares, rasgando elogios aos poderosos, tentando convencer o leitor que não existe racismo ou miséria no Brasil. Pela sua redação panfletária, essa matéria incomoda, ofende, machuca. Agora, deveríamos ficar preocupados se a revista Veja ao contrário de criticar, tivesse tecido elogios a sua administração como reitor. Afinal, Veja e José Geraldo são como água e vinho, não se misturam jamais.


Leonardo Avritzer
Professor do Departamento de Ciência Política da UFMG

Venho, por meio desta, manifestar a minha total solidariedade à Universidade de Brasília, injustamente atacada por este instrumento do pseudo-jornalismo intitulado "Revista Veja".

Sou testemunha da seriedade do trabalho de reconstrução da UnB empreendido pela sua gestão. Com certeza, a seriedade e a honestidade deste trabalho devem estar
incomodando aqueles que se expressam por meio destes ataques a essa prestigiosa instituição, a UnB.

Rodrigo Falcão
Mestre em História pela UnB e Analista do TJDFT

Permito-me falar sobre a Universidade de Brasília após cerca de 20 anos como aluno, professor, pesquisador e servidor. Aliás, frequentava a Colina (velha) na minha infância, nos anos 1970, quando meus pais visitavam amigos que eram professores da UnB. Mas quero falar, sobretudo, como cidadão e brasiliense.

A marca da UnB é a polêmica. Nasceu como modelo crítico ao formato ultrapassado das universidades brasileiras do final dos 1950. Foi agredida no seu formato modernizante e democrático ainda em tenra idade pelas concepções autoritárias e sombrias dos tempos da ditadura militar. Ressurgiu com a redemocratização, novamente como pólo de inovação até ser profundamente atingida pela maior de suas crises: a ética, numa sequencia estarrecedora de denúncias de desvio e malversação de dinheiro público para educação, investigadas por órgãos de controle interno.

Agora, matéria recente de revista de circulação nacional reúne um conjunto de relatos para denunciar a constituição de uma “ditadura de esquerda”, empregando um neologismo sem nenhum tempero de erudição ou refinamento intelectual: “madraçal”.


A tentativa de aglutinar o conceito islâmico de madrasa com o pantanoso lamaçal é uma desvairado ataque à UnB. Primeiro, a madrasa é um centro de estudos. Lembro que a Universidade do Cairo, uma madrasa na sua origem, é mais antiga que qualquer instituição universitária europeia, mais ainda das Américas. Segundo, se há algum lamaçal no planalto central, a UnB é a flor de lótus.

Bobagens à parte, o que fica é que uma parte da imprensa nacional, que há tempos abandonou qualquer compromisso com a noção da regra mais basilar do jornalismo, mostrar os dois lados do fato, faz ressoar as trombetas dos cruzados do autoritarismo, pois não se dispõe a travar a disputa política com os mecanismos democráticos do debate público e propositivo das ideias.

São os mesmos que insistem em dizer que são democratas até o limite dos interesses particulares, mesmo quando serviram aos órgãos da ditadura militar e nada democrática que invadiu a universidade e tentou calar a liberdade de opinão que hoje gozamos.

A partir daí vale tudo: afirmar o que não é e denunciar o que não acontece. Só não fazem uso dos instrumentos da democracia de direito: acionar as instâncias universitárias, administrativas, nem as instâncias judiciais, legislativas e de controle, pois aqui, na seara da lei, é preciso provar o que se afirma, sob pena de condenação.

Para nós, cidadãos e contribuintes, importa saber qual a dimensão e a qualidade do ensino e da pesquisa que é realizada na UnB, no fértil espaço experimental universitário, e no que resulta para a melhoria de nossa qualidade de vida, no aprimoramento da nossa experiência democrática, no aprofundamento das nossas possibilidades existenciais.


A UnB tem história e é dada às polêmicas, mas as disputas políticas devem ser travadas no campo próprio da sociedade democrático que somos, sem deixar que egos feridos e interesses pessoais superem os interesses da instituição, afinal, curiosamente, alguns insistem em dizer que nem existe mais direita e esquerda.

 

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: Secom UnB. Fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

Pesquisar Noticias [ ]

Fale conosco pelo
e-mail secom@unb.br