UnB Agência
MOVIMENTO ESTUDANTIL - 26/06/2009
Versão para impressão Enviar por e-mail| Daiane Souza/UnB Agência |
Alunos deixam prédio da Reitoria após 18 dias
Grupo anunciou decisão durante audiência pública realizada a pedido deles para discutirem assistência estudantil com a gestão
Camila Rabelo - Da Secretaria de Comunicação da UnB
O grupo de alunos que ocupava o Salão de Atos da UnB há 18 dias deixou o quarto andar da Reitoria nesta sexta-feira, 26 de junho. Eles começaram a limpar o local a partir das 16h30. O fim da ocupação foi anunciado durante a audiência pública em que o reitor José Geraldo de Sousa Junior entregou aos estudantes Termo de Compromisso respondendo às reivindicações apresentadas por eles. O encontro, realizado entre as 12h30 e 16h, atendeu a um pedido dos jovens para discutirem a assistência estudantil.
“Não estamos deixando o Salão porque entendemos que as oito reivindicações foram atendidas. O que temos são promessas e vamos cobrar a realização delas”, enfatizou Diogo Ramalho, aluno de Letras que participou da ocupação. “Esse foi um movimento legítimo, e a assistência estudantil foi pautada. Esperamos que não seja necessária uma outra ocupação, mas se for preciso a gente volta”, completou.
Uma das conquistas do movimento é a criação de uma mesa permanente de negociação para acompanhar a política de assistência estudantil. Ela será composta por representantes de professores, alunos e servidores indicados pela administração e pelos universitários. A mesa também poderá apresentar propostas aos órgãos colegiados da UnB.
CONQUISTAS - “A criação da mesa fortalece o diálogo, o debate e, principalmente, os encaminhamentos. Ela deve, inclusive, cobrar as propostas do Termo de Compromisso”, afirmou a decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes. O reitor José Geraldo reforçou que as propostas descritas no documento são compromissos da gestão. “Procuramos construir o diálogo e defendi a legitimidade do movimento. Vamos levar adiante os projetos.”
O termo estabelece, ainda, a ampliação dos horários de circulação do ônibus interno, que é gratuito. Hoje, ele passa de hora em hora à noite. Os alunos querem que o veículo circule a cada meia hora no período noturno e que também funcione durante o dia. O grupo conseguiu o compromisso com melhorias na iluminação e pavimentação do campus, especialmente os trechos que ligam a Casa do Estudante Universitário ao Minhocão e à L2 Norte.
A audiência pública reuniu 81 pessoas, a maioria estudante. Cerca de 20 deles foram ao microfone mostrar problemas da universidade e pedir melhorias. Moradores da Casa do Estudante questionaram a demora na reforma dos blocos e apresentaram uma proposta de investimento de R$ 700 mil para que eles mudem para apartamentos da Asa Norte durante as obras. A administração propôs deslocar os jovens para o Minas Tênis Clube e para o Hotel Alvorada.
RECLAMAÇÕES - Antônio Marques, aluno de Filosofia e morador da CEU, reclamou dos processos judiciais para retirar alunos formados dos apartamentos. “Alguns deles foram injustos e sem aviso prévio.” O estudante contou que há apartamentos na Casa com apenas uma pessoa em vez de quatro, enquanto uma fila grande aguarda por vagas. Bruno Leandro, que cursa Gestão Ambiental no campus de Planaltina, criticou o processo de avaliação socioeconômico.
A decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes, sugeriu que o primeiro tema a ser trabalhado pela mesa de negociação seja a reforma da CEU. “A nossa intenção é fazer a obra. Se há erros no cálculo, vamos corrigir”. Ela disse que mandou cinco cartas avisando os moradores que deveriam deixar o local antes de apelar para a Justiça.
A falta de espaço na UnB Gama e na UnB Ceilândia foi uma das preocupações dos alunos. Os novos campi funcionam em locais provisórios até que sejam construídas as sedes. “As salas são apertadas. Não me sinto inserida na instituição, estou em um puxadinho da universidade. As condições ofendem”, desabafou Aline Adne Araújo, aluna de Enfermagem do campus de Ceilândia. Cássio Rogério, estudante do Gama, disse que falta biblioteca. “Os estudantes ficam nos corredores lendo.”
Esta foi a segunda audiência pública realizada pelo reitor com os universitários. A primeira ocorreu em abril. “É importante para os alunos colocarem seus argumentos e reivindicações. Está claro de que há uma carência acumulada”, afirmou o reitor José Geraldo.
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