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28/06/2012 - Jornal Correio Braziliense

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Hackers ajudam PF a mapear ameaças



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Informações de cinco membros de grupo que prega a violência contra negros, homossexuais, mulheres e judeus são entregues à instituição.
Gabriella Furquim

Ogrupo hacker Anonymous afirma que identificou cinco membros do bando comandado por Marcelo Valle e Emerson Rodrigues, presos pela Operação Intolerância da Polícia Federal, em março deste ano, por tramarem um ataque a estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e disseminarem mensagens de ódio contra negros, homossexuais, mulheres e judeus.

Nomes, fotos, possíveis endereços e telefones foram entregues à Polícia Federal. Conhecida como Sanctos, a rede criminosa liderada por Valle continuou a espalhar o medo após a detenção dos líderes. Os cinco membros
apontados pelo grupo hacker seriam os responsáveis pelas atualizações no blog e nas redes sociais antes alimentados pela dupla presa. Após a denúncia do grupo hacker, as páginas na internet do Sanctos foram deletadas. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal, nenhuma informação sobre as investigações serão divulgadas até a conclusão do inquérito.

Uma das informações divulgadas pelos suspeitos causou pânico em professores e alunos da UnB. Em 13 de março,uma ameaça de bomba do grupo levou à suspensão das aulas na universidade. Docentes e chefes de departamento recomendaram que os alunos evitassem locais de grande concentração de pessoas, como centros acadêmicos, lanchonetes e até mesmo a biblioteca da universidade, temendo um massacre nos moldes do ocorrido na Escola Municipal Tasso de Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, onde um atirador matou 12 estudantes em 7 de abril de 2011. O grupo de hackers identifica os cinco membros apontados como os autores das ameaças aos alunos da UnB e a celebridades como Simony e Monique Evans, além do deputado federal Jean Wyllys.

Segundo um membro do grupo Anonymous, que pediu para não ser identificado, a rede criminosa recrutou muitos simpatizantes em quatro anos da campanha de ódio alimentada por Marcelo Valle. “Além desses, tem mais, são muitos. Em todos esses últimos quatro anos, eles se multiplicaram e estão por todo o país. Há uma espécie de hierarquia nessa quadrilha. Os mais destemidos e os que escrevem melhor em nossa língua são os mais respeitados”, afirma.

Ajuda

O grupo de hackers colaborou com a Polícia Federal para a prisão de Marcelo Valle e Emerson Rodrigues rastreando-os na internet. Segundo o integrante do Anonymous, após a identificação da dupla que encabeçava a rede criminosa, ficou mais simples chegar aos outros cinco membros. “Eles têm o mesmo modus operandi. É uma quadrilha feita para ‘trollar’ e provocar pânico na internet, mas não há como evitar os rastros na rede e, como um quebra-cabeça, as coisas vão se juntando”, conta o hacker.

Em 2005, o aluno de mestrado da UnB Rafael Ayan foi alvo das primeiras ofensas e ameaças de Marcelo Valle. “Nós discutimos um dia, ele me chamou de macaco e me agrediu. Desde então, recebo ameaças na internet e por telefone do Marcelo e dos seguidores”, afirma Ayan. Ele pensou que, quando Valle foi preso, finalmente estaria livre das ameaças, mas a tranquilidade não durou muito tempo. “Agora estamos disputando sua cabeça, afirmaram em e-mails e telefones. É nítido que, com os anos, as mensagens de ódio dele tocaram outras pessoas doentes como ele e criaram uma rede. Só não esperava continuar sendo vítima”, diz.

O especialista em informática Emerson Eduardo Rodrigues e o ex-estudante da UnB Marcelo Valle Silveira Mello continuam presos. Em27 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentados pelos advogados de defesa da dupla, alegando que as investigações sobre as atividades dos acusados não cessaram. Eles estão presos na carceragem da
Polícia Federal em Curitiba, onde foram localizados pela polícia.

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A reportagem ao lado faz parte do clipping da Secretaria de Comunicação. Não é de autoria da UnB Agência, sendo de responsabilidade exclusiva do veículo em questão.