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25/06/2012 - Jornal Correio Braziliense

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Criminalidade cai no DF

Kelly Almeida

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O Correio teve acesso ao balanço com dados do último bimestre. O levantamento da Secretaria de Segurança mostra queda na incidência de 15 dos 21 crimes avaliados. Delitos graves, como latrocínio e sequestro relâmpago, apresentaram recuo.

Após a onda de violência que elevou os índices de criminalidade do Distrito Federal nos primeiros meses deste ano, a estratégia de segurança pública do governo começa a apresentar resultados positivos. Semanalmente, os números do plano Ação Pela Vida, que completou 60 dias no último dia 20, são divulgados. O Correio teve acesso ao balanço dos dois primeiros meses da proposta. Crimes graves, como latrocínio e sequestro relâmpago, apresentaram recuo. Os delitos contra pessoas caíram 5%, enquanto os contra o patrimônio tiveramqueda de 15%.

Hoje, a Secretaria de Segurança Pública vai apresentar índices de criminalidade para avaliar a evolução desde o início da proposta. Entre 21 de abril e 19 de junho, o DF registrou 112 roubos com restrição de liberdade da vítima, os chamados sequestros relâmpagos.

Apesar do número revelar que, no período, quase dois casos desse tipo de crime foram registrados por dia, o número apresenta queda de 33% em relação aos dois meses anteriores, quando o Ação pela Vida não havia sido implantado. Os homicídios também tiveram uma redução de 13%, passando de 156 para 135 ocorrências. Já os furtos em veículos subiram 5%, com 2.203 casos no período.

Os números mostram queda na incidência de 15 dos 21 crimes analisados. Os que permaneceram em alta, porém, não apresentaram crescimento representativo. Os roubos a casas lotéricas passaram de dois para três casos e os praticados a caminhões de bebidas subiram de um para dois registros. Também houve aumento de 47% nas apreensões de arma de fogo, que passaram de 202 para 297.

A integração entre as quatro forças de segurança—polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Departamento de Trânsito (Detran)—começou a ser implantada após o DF registrar elevação em crimes graves. Em 6 de abril, por exemplo, o analista do Banco Central Saulo Jansen morreu ao ser atingido por um tiro em uma lanchonete da 413 Norte, durante uma tentativa de assalto.

O pernambucano perdeu a vida em meio ao descaso de policiais militares, que realizavam a Operação Tartaruga e chegaram a agradecer, por meio de uma comunidade restrita da Polícia Militar na internet, o assassino de Saulo. “Venho através desta comunidade agradecer pela ação do bandido, que trouxe à tona nosso movimento”, dizia um recado na rede social. O deboche e a operação dos militares só acabaram após a Secretaria de Segurança anunciar a troca no comando da corporação.

Em 13 de abril, o coronel Suamy Santana assumiu a Polícia Militar. Uma semana depois, a cúpula da segurança lançou o plano Ação pela Vida e prometeu assumir uma posição transparente, além de divulgar os dados e estratégias para combater os crimes com maior incidência em cada região administrativa. Delegados e comandantes das polícias Civil e Militar são responsáveis por monitorar e controlar cada uma das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) — Leste, Oeste, Sul e Metropolitana.

Os três primeiros meses são de implantação e adaptações. Após 90 dias, cada região terá metas a serem cumpridas, de acordo com a necessidade de cada área.

Avaliação

O secretário de segurança do DF, Sandro Avelar, afirma que a medida acabou com a rivalidade entre as polícias e tem gerado uma competitividade saudável para reduzir a criminalidade em todas as regiões. “Cada comando, composto por policiais civis e militares, quer ter resultado positivo na sua área e está trabalhando junto para isso. Os resultados começaram a aparecer com esse modelo de integração e controle de metas e os números estão mostrando que estamos no caminho certo”, comemora.

Avelar ressalta que a redução dos crimes graves reforça a necessidade da permanência da proposta. “Estamos no período de adaptação, mas temos certeza de que o plano é irreversível”, garante o secretário.

O policiamento ostensivo e o grande número de prisões estão ligados, segundo a Secretaria de Segurança, à redução dos índices. “Fizemos mudanças no expediente e uma redistribuição nos batalhões com o intuito de colocar mais policiais nas ruas. O que queremos é otimizar o efetivo para prestar um bom serviço à sociedade”, afirma Suamy Santana, comandante- geral da PM. O diretor geral da Polícia Civil, Jorge Xavier, garante que foram feitas prisões de criminosos especializados em crimes como sequestros relâmpagos.

Análise deve ser a longo prazo
Manoela Alcântara

A integração entre as polícias Civil e Militar é uma ação acertada e deve gerar frutos ainda mais positivos no futuro. É o que afirmam especialistas na área ouvidos pelo Correio. Eles consideram a redução de índices de crimes como roubo de carros, sequestro relâmpago e homicídio um primeiro passo para que a população de Brasília volte a sentir tranquilidade. Porém, alertam para a necessidade de dar continuidade ao trabalho realizado nos últimos dois meses.

A expectativa para os primeiros 90 dias do plano Ação Pela Vida é apresentar números ainda mais positivos. De acordo com o pesquisador em segurança pública da Universidade de Brasília (UnB) e sociólogo Antônio Testa, o trabalho conjunto gera a capacidade de antecipar ações para reduzir a criminalidade. “A segurança deve ser prioridade para o governo. O que faltava era essa comunicação entre as polícias. Havia um descompasso entre as ações. Agora, elas podem ser programadas e integradas”, ressaltou.

Para a coordenadora do curso de Segurança Pública da Universidade Católica de Brasília, Marcelle Figueira, os números demonstram um caminho de êxito do plano.Mas segundo ela, é preciso tempo para saber se as mudanças realmente se concretizarão. “Para que haja uma real alteração na política do setor é necessário observar durante pelo menos um ano. As ações precisam se consolidar e mostrar estabilidade nos resultados”, analisou a especialista. Ela lembra que os índices apresentados hoje são muito positivos porque são comparados com um período no qual a criminalidade aumentou muito. “Se não houver uma redução igual nos próximos meses, não significa que há falhas. Isso é comum. O que precisamos observar é a constância da manutenção da proposta”.

O novo plano traz ainda a possibilidade de a população cobrar diretamente do governo ações enfáticas na área. Os números de assaltos, roubos, sequestros e homicídios serão divulgados com frequência. Isso vai gerar maior transparência em todas as ações. “A segurança pública é dever do Estado, é também um direito de todos, de acordo com a Constituição. Por isso, a população precisa saber como trabalham as agências do setor e aumentar o controle sobre isso. A publicidade só amplia o desafio do Poder Público”, complementou Marcelle Figueira.

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