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21/02/2011 - CORREIO BRAZILIENSE - DF

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Aeroporto na rota dos urubus

Mariana Laboissière

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Número de acidentes envolvendo pássaros aumentou 10% em 2010, quando foram registradas 53 ocorrências
Mariana Laboissière

O número de acidentes envolvendo aeronaves e pássaros no Aeroporto Internacional de Brasília cresceu no ano passado. Em 2010, foram 53 ocorrências, número 10% superior ao registrado no ano anterior. Apesar desse índice parecer pequeno, a capital da República ocupa o segundo lugar no levantamento mais recente do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que analisou episódios dessa natureza em 18 terminais brasileiros. O primeiro colocado é o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (São Paulo), com uma colisão a mais.

O coronel Luiz Cláudio Magalhães Bastos, vice-chefe do Cenipa, garante que esse aumento não quer dizer que haja uma tendência de crescimento contínuo. "Não tomamos conhecimento de todos os choques que acontecem e, por isso, a análise tem que ser feita com cuidado. Por exemplo, se ocorrer um acidente grave neste ano e no ano que vem forem registrados dois, o aumento será de 100%. Não dá para traçar um comportamento", expõe. "O trabalho feito em Brasília é de boa qualidade. Em outros aeroportos do país, nem tanto", completa. O perigo dos acidentes de avião causados por aves foi mundialmente discutido em 2009, depois de uma ocorrência registrada em Nova York.

Para o especialista em transporte aéreo Adyr da Silva, que é professor do curso de pós-graduação de Gestão de Aviação Civil da Universidade de Brasília (UnB), é preciso controlar as atividades que atraem pássaros nas proximidades dos terminais. "Os números podem ser muito maiores. Temos que levar em conta que muita coisa não é registrada, uma vez que a contagem se baseia em relatos", explica o especialista. "De toda forma, a verdade é que há um desrespeito muito grande à legislação nos principais aeroportos brasileiros. Isso porque são promovidas atividades de atração de aves nas áreas de segurança aeroportuária, apesar das proibições", afirma.

Iano Andrade/CB/D.A Press - 3/1/10

Terminal internacional de Brasília: a capital ocupa o segundo lugar no ranking de incidentes do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), atrás apenas de Viracopos, em Campinas (SP)
Adyr refere-se a uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que veda, num raio de 20km, a implantação de atividades de natureza perigosa, entendidas como foco de atração de pássaros, assim como quaisquer outras atividades que possam proporcionar riscos semelhantes ao tráfego aéreo. No caso de Brasília, especificamente, um dos maiores atrativos para esses animais é o lixo. "Aterros sanitários, matadouros e frigoríficos não deveriam existir nessa região, mas não há fiscalização para inibir a presença deles. Na avenida L4 temos um exemplo visível. Lá existe um depósito de dejetos que, obviamente, atrai essas populações de animais", esclarece o especialista.

O vice-chefe do Cenipa acrescenta que outras normas mais antigas que a resolução do Conama já faziam referência às restrições de atividades de atração de aves. "O desrespeito vem de muitos anos. Não é de agora. Há menção da proibição, por exemplo, no Código Brasileiro de Aeronáutica, que é de 1986. Mas, de toda forma, se os locais forem bem administrados, a atração não ocorrerá", afirma.

Em 2009, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) firmaram um convênio para avaliar e executar ações com a finalidade de reduzir os fatores atrativos da fauna nos aeroportos do país. Estudiosos procuraram mapear e quantificar os animais que habitavam essas regiões. Foi verificado que carcarás, urubus e quero-queros são as espécies que geram maior risco à aviação local, com destaque para o primeiro grupo - os mais envolvidos em colisões. No banco de dados do Cenipa, diferentemente, são os quero-queros que aparecem no topo da lista.



Para saber mais
Tecnologia de controle

Para aumentar a segurança nos aeroportos, uma empresa ítalo-espanhola criou um robô em forma de falcão (foto). Guiado por controle remoto, ele simula o voo de um predador natural dos ares e afugenta as aves que insistem em sobrevoar as cercanias das pistas de pouso e decolagem de aeronaves. A ideia, testada em aeroportos da Europa e dos Estados Unidos, tem ajudado a reduzir os acidentes, com a vantagem de não causar prejuízo ecológico à fauna local. O robô é, na verdade, um aeromotor que imita com exatidão a forma de voar de um falcão-peregrino, uma das mais agressivas aves do mundo. Desenvolvido pela companhia Bird Raptor International, o equipamento simula os movimentos de mergulho e sobrevoo, temidos por aves como pombos, garças e, principalmente, urubus. A Infraero ainda está concluindo um relatório que vai decidir se dois desses robôs serão usados nas pistas do Galeão. Se a estratégia funcionar, o projeto deve se expandir para outros aeroportos do Brasil.


Manejo da fauna

Planos de manejo da fauna estão sendo desenvolvidos em dez aeroportos do Brasil por m
io do convênio entre a UnB e a Infraero, mas ainda dependem da avaliação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) para implantação. Nesse meio tempo, contudo, os envolvidos na iniciativa realizam o manejo indireto das populações, como explica Lago: "Investimos na educação ambiental, implantamos barreiras físicas nos aeroportos para dificultar o acesso das aves e pedimos a retirada de árvores frutíferas ou somente dos frutos nas proximidades", detalha.

O vice-chefe do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos, Luiz Cláudio Magalhães Bastos, ressalta que não há aeronave totalmente segura, uma vez que todas podem ser derrubadas por pássaros, e reitera que não existe hoje um sistema específico nos aviões para proteger contra colisões dessa natureza. "Apesar da lataria reforçada, não há ave inofensiva. Temos vários casos de aviões da Força Aérea que foram derrubados por esses animais. O que procuramos fazer é evitar essa aproximação, trabalhar essa questão", conclui.

Zoológico
No passado, o Jardim Zoológico de Brasília era um dos responsáveis pela infestação de urubus e outras espécies nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. Isso porque havia um cemitério de animais em atividade no terreno. Hoje, contudo, o diretor do local, José Belarmino da Gama Filho, esclarece que as carcaças são incineradas por terem tratamento similar ao do lixo hospitalar. Mesmo assim, ele reconhece que a existência de ninhos de urubus e de outras espécies na unidade de preservação. "Esse é um problema antigo, mas o cemitério foi desativado há cerca de oito anos. Além disso, temos reuniões constantemente com o pessoal da Infraero sobre o assunto. Nosso objetivo é fazer um trabalho articulado", afirma o diretor.

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