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06/09/2010 - CORREIO BRAZILIENSE - DF

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Moradia de estudante



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E como é a vida de quem saiu da sua cidade de origem para concluir a graduação no Distrito Federal? Você pode não saber, mas a capital do país também tem repúblicas, pensionatos e alojamentos estudantis! Conheça histórias de jovens que escolheram Brasília como a cidade responsável pela formação universitária e preferiram deixar a solidão de lado para dividir essa vivência com outros estudantes.

República

Em um apartamento de três quartos com dependência de empregada na Asa Norte, quatro estudantes de três estados diferentes dividem o espaço numa boa, como se fossem uma família. Batizada de Lucinéia (nome da diarista) ou Wonderland (onde tudo acontece), a república foi criada em 2006 pelo mineiro Rubens da Serra, 22 anos, mestrando em sociologia pela UnB. Além dele, os cariocas e estudantes de relações internacionais na UnB Mariana Souza da Cruz, 19, e Rodrigo Oliveira, 21, ocupam os outros dois quartos da casa. Como chegou por último, o capixaba de Vitória Peter Walter Müllers, 18, também aluno de relações internacionais na UnB, ficou com o quartinho de empregada. Nesse tempo, muita gente já passou por lá. Uma das regras da moradia coletiva é que, para deixar a república, o integrante tem que arrumar outra pessoa para ocupar seu lugar. Foram os casos de Peter e de Mariana, única menina da casa.

Os custos de aluguel (cerca de R$ 1,5 mil mensais) são divididos por morador, de acordo com a metragem dos quartos. Já os gastos com luz, água e internet são distribuídos igualmente entre os quatro. A tarefa de alugar um apartamento numa cidade em que você não conhece ninguém não é nada fácil. O grupo deu sorte porque o padrasto de Rodrigo mora no Guará e conseguiu alugar o espaço. "O problema é que o locador precisa ter um salário alto e é muito difícil encontrar fiadores." Outra pedra no caminho é a dificuldade de essas empresas aceitarem repúblicas. Os vizinhos também não concordam com a ideia de festinhas e bagunças. Mariana lembra que ela e os colegas já levaram "alguns esporros" e hoje evitam muito barulho. Na vida prática, algumas regras definem o dia a dia. A arrumação das áreas comuns é feita semanalmente por uma faxineira. Nos outros dias da semana, cada um mantém o espaço ajeitado como pode. A organização do quarto fica a critério do morador, que o deixa como quiser. Conflitos acontecem de vez em quando e costumam ser resolvidos na hora, com o bom e velho diálogo. "Como a gente é muito próximo, as conversas informais resolvem", conta Mariana. "Mas quando a coisa fica séria, fazemos uma reunião mais formal, debatemos e estabelecemos novas regras", acrescenta Rodrigo.



# Vantagens: não ficar sozinho; chegar e ter alguém para conversar; ter alguém para levá-lo ao hospital, caso você passe mal; independência; fazer suas próprias regras e não ficar preso às dos seus pais; flexibilidade de negociação para regras.

# Desvantagens: dividir espaço gera problemas; estudar e ter que pedir para os outros falarem mais baixo; ritmos de vida diferentes - um fica acordado de madrugada e dorme durante o dia, enquanto o outro levanta cedo e dorme cedo; definir tempo de uso do banheiro.



As divas da Casa do Estudante Universitário
Monique Renne/CB/D.A Press
As amigas Evellyn, Vanessa e Andressa dividem um duplex bem simples


"A CEU é o Big Brother de pobre e o prêmio de R$ 1 milhão é se formar." Assim a estudante goiana de engenharia mecatrônica Kyara Esteves de Souza, 24 anos, define a vida na Casa do Estudante Universitário da UnB, criada para abrigar os alunos que não têm casa em Brasília, especialmente os de baixa renda. São 92 apartamentos, capazes de receber até seis estudantes em cada um. Kyara é vizinha do quarteto formado por Andressa, Vanessa, Evellyn e Anita, cuja moradia é conhecida como As divas. Elas vivem em um apartamento duplex bem simples. Na parte de baixo, sala de estar, cozinha, área de serviço e banheiro. Na parte de cima, um quarto aberto para a sala. Duas camas para um lado e duas para o outro, separadas apenas por gaveteiros. Não há muito espaço para privacidade. Acender a luz pode incomodar outra que estiver dormindo, assim como os despertadores - cada um tocando no seu horário. "A nossa convivência é muito boa, ao contrário de muitos apartamentos que brigam por motivos fúteis, por egoísmo ou choque de personalidade", diz a estudante de letras espanhol Andressa de Souza Silva, 23 anos, natural de Monte Alto (GO).

O apartamento fica arrumado dois dias por semana. A cada semana, uma moradora é responsável pela faxina e outra pela organização da casa, com tarefas como recolher o lixo, varrer o chão e tirar a mesan. A louça é responsabilidade individual: usou, lavou. Nas raras vezes em que cozinham, uma faz a comida e as outras lavam a louça. Elas não ligam para a bagunça e adoram receber visitas, com uma condição: namorados não podem subir para o quarto. Vinda de Campo Grande (MS), a estudante de educação física Evellyn Pereira, 20 anos, não liga. E costuma levar para casa o namorado, Diego Machado, 26, sem reclamações das companheiras. Apesar de terem horários de aula e trabalho bem diferentes, elas aproveitam o tempo juntas e procuram sair nos fins de semana. "É legal porque, como cada uma é de um curso diferente, nossas conversas parecem uma Wikipedia, a gente fala sobre todo assunto", comenta a aluna de química Vanessa de Almeida, 21, ex-moradora de Formosa (GO), aos risos. Baiana de América Dourada, a quarta moradora da casa, a aluna de ciências sociais Anita Dourado, 20, não pôde comparecer à entrevista porque trabalhou até tarde da noite.



# Vantagens: sempre ter alguém para contar; troca de experiências;

# Desvantagens: sofrer preconceito por morar na CEU, já que outros estudantes acham que a vida deles é um cortiço; excesso de gente fumando nos corredores; acústica ruim; insegurança na portaria; más condições do prédio; escuridão; escassez de linhas e horários de ônibus.




Pensionato
Ana Clara: regras rígidas de internato de freiras

Fotos: Kleber Lima/CB/D.A Press
Niedge: um quarto só pra ela no pensionato


Elas moram num pensionato só para mulheres, regido por freiras e cheio de regras. De segunda a sexta, os portões abrem às 5h20 e fecham às 23h30. Depois disso, ninguém entra e ninguém sai. No fim de semana, os horários de fechamento são ainda mais cedo: sábado, às 22h30, e domingo, às 22h. O que isso significa? Para sair tarde com os amigos, há duas opções: arrumar um lugar para dormir ou esperar o dia clarear para voltar para casa. Mesmo assim, as estudantes de direito do UniCeub Niedge Bandeira, 21, e Ana Clara C. de Paula, 18, preferem lá a viverem num apartamento ou república. Além da tranquilidade e segurança do pensionato, o preço mensal por apartamento é bem mais em conta do que um aluguel. O espaço individual custa R$ 420 e o quarto de dupla, R$ 230 por pessoa. Natural de Macapá (AP), Niedge mora em pensionatos há três anos e prefere ficar em um quarto só para ela. O espaço é equipado com cama, escrivaninha, televisão, notebook e geladeira - tudo comprado pela mãe.

"Quando você mora com outra pessoa, se as personalidades não dão certo, é difícil aguentar", explica. "Tenho meus horários, posso estudar e assistir TV na hora que quiser, sem contar que detesto dividir banheiro." Para lavar roupa e cozinhar, Niedge usa as áreas comuns às demais moradoras, mas não reclama. Há seis meses na instituição, Ana Clara divide o apartamento com uma colega. A escolha foi dos pais, que não queriam deixar a filha sozinha. A primeira experiência, no entanto, não foi boa. A jovem conviveu por quatro meses com uma menina que implicava com tudo. "Ela reclamava o tempo inteiro, reclamava de limpeza, sendo que sou supercuidadosa. Ela também deixava a luz ligada quando eu queria dormir mais cedo. Aguentei por muito tempo sem falar para ninguém, chorei muito, até que estourei e pedi para mudar de quarto", recorda. Hoje Ana Clara leva uma vida tranquila com a nova companheira, que, segundo ela, é uma ótima pessoa, brincalhona e a respeita. Mas, se pudesse escolher, Ana preferiria morar sozinha. "O ruim é que sinto muita falta da minha família, sempre fui muito apegada aos meus pais e irmãos", ressalta a moça, com os olhos marejados. "Mas estou aprendendo muito, tanto na faculdade, quanto no pensionato e em Brasília, que é totalmente diferente da minha cidade."




# Vantagens: dar mais valor à família; fazer amigas de todo o país; aprender a lidar com pessoas; respeitar mais; preço acessível; moradoras são selecionadas; segurança.

# Desvantagens: falta de flexibilidade de horários; não poder sair e voltar à hora que quer; quando os pais vêm a Brasília, não podem ficar hospedados com as filhas.




"Quem tem raiz é planta"

Para o diretor pedagógico do pré-vestibular Pódion, Ismael Xavier, o mais importante na hora de pensar em sair de casa é o desapego familiar. "Quando o jovem é muito apegado à família, fatalmente terá mais dificuldade quando estiver fora, sem apoio dos entes queridos, até para estudar e evoluir na universidade", alerta o educador. Segundo ele, os mais novos têm mais dificuldade de adaptação, porém nada que não possa ser superado. "O aluno que demora mais a passar no vestibular, já entra mais velho, mais amadurecido e valoriza mais a experiência."

Mas vale ter uma coisa em mente: "Quem tem raiz é planta", brinca Vinícius Miranda, diretor pedagógico da escola e do cursinho Olimpo. "A gente tem que ir até onde o mercado oferece uma proposta interessante", defende. Vinícius também enumera uma série de vantagens obtidas depois da mudança. "Ao lidar com gastos e novas tarefas, você ganha autonomia, maturidade, capacidade de resolver seus problemas. Além disso, estando numa universidade pública, dificilmente vai se deparar com um curso ruim."

Ele lembra, no entanto, que qualquer processo seletivo de universidade é sempre meritocrático. "O estudante não tem que ser adestrado para o vestibular e se preocupar com o formato das questões, se é certo e errado, se precisa somar itens ou as respostas são múltipla escolha. Ele tem que aprender o conteúdo para fazer qualquer prova", salienta.



Passo a passo

Saiba o que levar em conta ao decidir prestar vestibular em outras cidades:

# Escolha o curso que atenda melhor a especificidade do que você quer - pesquisa ou mercado de trabalho.

# Pesquise a universidade que tenha renome nacional - e até internacional - que se encaixa melhor em seus projetos. Verifique no site enade.inep.gov.br a classificação das instituições e o perfil de cada uma para definir qual delas é preferível.

# Selecione a cidade para onde pretende ir.

# Verifique o padrão do vestibular. Procure ler o edital, saber as condições necessárias, tipos de provas e locais de provas para verificar se será preciso deslocamento. Algumas universidades aplicam os exames em Brasília e outras na própria cidade da instituição.

# Busque provas antigas para resolver.

# Estude muito. De preferência, matricule-se em um cursinho de credibilidade no preparo. O melhor termômetro é o índice de aprovação de cada pré-vestibular na determinada universidade.

# "O curso não aprova ninguém. Quem se aprova é o candidato", diz Ismael. Siga todas as orientações e acredite no seu potencial.

# Se não passar de primeira, não desista. Seus concorrentes são do país todo. A aprovação é um projeto que dura, em média, dois anos.

# Sendo aprovado, procure saber onde é bom para morar. Vá à cidade e se informe junto ao diretório acadêmico da universidade sobre locais que alugam quartos, móveis etc.

# Junto com seus familiares, analise o ambiente em volta e as condições oferecidas no local, como serviços de internet, como é banheiro, se será preciso dividir quarto e banheiro.

# Prefira locais com transporte fácil, próximos a supermercados, farmácias e locais de consumo viáveis, pontos onde não haja muito problema de segurança pública.

# Se for morar com alguém, veja se há algum conhecido seu. Alguém com quem você tenha convivência. Isso facilita o processo de transição.

# Lembre-se também de que é importante ter um mínimo de privacidade, um lugar onde você possa estudar sem ninguém te atrapalhar.

# Aí é só entrar, estudar e fazer um bom curso. Aproveite todas as oportunidades possíveis. Conheça pessoas, envolva-se com projetos.
Isso ajuda a amenizar a saudade e conta muito no final do curso.

*As dicas são do diretor pedagógico da escola e do cursinho Olimpo, Vinícius Miranda, e do diretor pedagógico do pré-vestibular Pódion, Ismael Xavier.




Em busca de informação

Alguns sites não oficiais oferecem informações interessantes sobre alguns dos processos seletivos mais concorridos do país.

# Nos endereços www.rumoaoita.com.br e www.gilsonresolve.com.br, você encontra dicas sobre os vestibulares de instituições militares, como o ITA, IME, Escola Naval e Academia da Força Aérea.

# Várias comunidades do Orkut debatem aspectos importantes para vestibulandos. É o caso de Um dia eu entro na USP, Repúblicas da Unicamp, Moradia Unicamp, Vestibular UFG e Vestibular UFRJ 2011.

# Para compra de livros bons e baratos: www.vestseller.com.br, www.sbm.org.br, www.estantevirtual.com.br e www.traca.com.br

Onde se preparar
Por conta da baixa procura, poucos cursinhos de Brasília oferecem preparação específica para vestibulares de fora da capital federal. Confira as opções.


Olimpo
Aulas oferecem conteúdos que abordam todas as faculdades. O cursinho tem ainda opções de simulados voltados para a UFG, USP, Unicamp e ESCS. A única turma especial é para IME/ITA.
Endereço: 913 Sul, conjunto A
Informações (61) 3346-6700 e www.olimpodf.com.br.

Pódion
Além das turmas tradicionais para a UnB, o pré-vestibular oferece preparatórios específicos para o IME/ITA, Escola Naval , USP, Unicamp, UFRJ, UFMG e ESCS.
Endereço: Setor Hospital Norte, comércio local da 116 Norte, bloco G, edifício Manacá, subsolo e www.podion.com.br.
Informações: (61) 3272-7742




As inscrições para os principais vestibulares do país se encerram este mês. Confira o calendário com todas as datas desses processos seletivos no site www.correiobraziliense.com.br/euestudante

http://www.linearclipping.com.br/PDFs/1301608.pdf

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