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Pioneirismo e excelência
Cada vez mais, as questões internacionais deixam de ser competência
exclusiva dos diplomatas e do interesse de grupos restritos. Temas como
segurança regional, formação de blocos comerciais e terrorismo entraram
definitivamente para a agenda pública. Nesse contexto, a atuação dos
profissionais de Relações Internacionais tornou-se necessária não apenas
em órgãos públicos diversos, mas também em empresas privadas, multinacionais,
agências de cooperação estrangeira, organizações internacionais intergovernamentais
– como a Organização das Nações Unidas (ONU) – e organizações não-governamentais.
O profissional bem informado, capaz de compreender os eventos que extrapolam
Estados e países, com visão e postura cosmopolitas e ampla cultura geral,
é requisitado nos mais diversos campos.
Para preparar gente assim, o curso de Relações Internacionais da Universidade
de Brasília (UnB) tem a proposta de mesclar conhecimentos nas áreas
de Ciência Política, Economia, Direito e História. O curso da UnB foi
o primeiro criado na América Latina, em 1974. E hoje, apesar da explosão
de cursos no Brasil – são mais de 60 – continua sendo a maior referência
no país – é o único que tem doutorado. Por isso, mantém-se entre os
mais concorridos na área de humanas. “A construção da área no Brasil
se deu por aqui. Ao longo de três décadas de trabalho concentrou-se
no instituto uma massa crítica de altíssimo nível em termos científicos
e políticos”, ressalta Alcides Costa Vaz, professor do Instituto de
Relações Internacionais (IREL).
O objeto do estudo de Relações Internacionais é a análise de fenômenos
complexos, cuja influência se estende direta ou indiretamente a todos
os países. Por exemplo, a tão falada globalização, as integrações regionais,
a formação de blocos econômicos como o Mercosul, a União Européia e
a Alca, a cooperação e a segurança nos níveis regional e internacional
– como, por exemplo, a atuação militar do Brasil no Timor Leste e os
desdobramentos da guerra no Iraque. Em outro campo, diz respeito à estruturação
de regimes internacionais em áreas como as do clima, do meio-ambiente
e da política econômica. As possibilidades são inúmeras.
De acordo com Narue Shiki, graduada em 1998 e hoje assessora do representante
residente da ONU no Brasil, as amplitudes da preparação e do campo profissional
são ao mesmo tempo as maiores vantagem e desvantagem da profissão. “Tenho
colegas trabalhando em grandes empresas no setor privado, no governo,
em ONGs. Há pessoas da área de Relações Internacionais atuando em todos
os setores. O mercado de trabalho é o mundo.” Por outro lado, não há
nenhuma posição exclusiva da categoria, nenhuma reserva de vagas. “Competimos
sempre com gente das mais diversas áreas. Essa é a desvantagem”, afirma.
Para interessados em seguir a carreira acadêmica, a UnB dispõe de
curso de especialização em Relações Internacionais, além de mestrado
e doutorado. O mestrado é considerado o melhor do Brasil, de acordo
com as avaliações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, realizadas em
1999 e 2001.
Também pioneira é a empresa júnior Domani, formada por alunos de
graduação sob a orientação de professores da universidade, que atua
desde 1995 e até 1999 foi a única do tipo no Brasil. Como as
empresas juniores de outras áreas, a Domani oferece serviços
idênticos aos de suas equivalentes no mercado, com a diferença de
não terem fins lucrativos e, portanto, cobrarem dos clientes preços
mais baixos. Para os alunos, trata-se de excelente oportunidade para
colocar em prática os conhecimentos adquiridos. Entre os tipos de
consultoria prestados pela empresa destacam-se: assessoria em
comércio exterior; análises conjunturais; análise de política
internacional e exterior; consultoria em cooperação internacional;
preparação técnica e recepção de missões empresariais; treinamento e
capacitação específicos; entre outros. “É um laboratório importante
para que o estudante defina seu perfil profissional, consolide o
conhecimento adquirido e visualize o campo de trabalho que terá pela
frente”, reforça Costa Vaz.
Simulação – Narue encontrou, ainda na universidade, outra forma
de ter experiência semelhante. Ela foi a secretária-geral da primeira
Amun – simulação de reunião das Nações Unidas para estudantes universitários
– realizada em 1998. Não sabia que apenas seis anos depois estaria trabalhando
na ONU de verdade. E garante que a experiência é válida. “O Amun é uma
lição bastante realista. Eu sempre fui tímida, e aprendi com a simulação
que teria de trabalhar essa questão em mim para progredir”, exemplifica.
Vale destacar que essa experiência dos estudantes da UnB contribuiu
para difundir os modelos de simulação pelo Brasil e também
para secundaristas, como é o caso da Simulação
para Alunos do Ensino Médio (SINUS).
Em consonância, Vaz indica um traço indispensável aos aspirantes à
graduação em Relações Internacionais: devem ser capazes de trabalhar
de forma multidisciplinar e multicultural. Nem mesmo o conhecimento
de línguas estrangeiras é pré-requisito – no decorrer do curso, contudo,
o estudante terá que aprender pelo menos duas delas. Na opinião de Narue,
a profissão exige sobretudo a atenção para o que acontece ao seu redor
e no mundo. “Características como o domínio de técnicas de diálogo,
negociação, interculturais, capacidade de oratória, de se colocar na
posição dos outros, são essenciais ao que quer que se faça no ramo.
Na verdade, acho que são fundamentais para qualquer atividade no mundo
moderno”, acrescenta.
Saiba mais
Unidade Acadêmica: Instituto
de Relações Internacionais (IREL)
Campus: Plano Piloto
Habilitação: Bacharelado
Turno: Diurno
Número de semestres: 6 (mínimo) / 12
(máximo)
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