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Dados que explicam a vida real

Uma fábrica, uma instituição pública, um hospital e um centro de pesquisa são lugares bastante diferentes. Mas, se foram vistos como fontes de dados que podem ser tratados e interpretados, podem se transformar no local de trabalho de um estatístico. Pela definição, Estatística é uma tecnologia quantitativa que permite avaliar e estudar as incertezas e os seus efeitos no planejamento e interpretação de experiências e de observações de fenômenos da natureza e da sociedade. "O profissional de Estatística pode atuar em todas as áreas do conhecimento humano em que haja a necessidade de obter informações a partir de um conjunto de dados, ou planejar, coletar e analisar dados para estudar fenômenos e para subsidiar a tomada de decisões", afirma o professor José Ângelo Belloni, chefe do Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB).

Para o professor, os estudantes do ensino médio pouco sabem o que um estatístico pode realizar. Existe a idéia, lembra, de que o estatístico é um matemático. "Durante a formação, é necessária uma boa base matemática. Além disso, um bom profissional precisa ter habilidade no trato de dados e dar sentido a eles transformando-os em informações", explica.

Transformar os dados em informações que sirvam para orientar e formular políticas públicas na área da saúde é parte do trabalho do professor David Duarte Lima, estatístico que leciona na graduação e na pós-graduação da Faculdade de Medicina e coordena desde 1999 a organização não-governamental Instituto de Segurança no Trânsito. "Desde o estabelecimento de perfis epidemiológicos até a probabilidade de cura de doenças, qualquer tipo de política pública em saúde exige conhecimentos que perpassam a estatística", acredita. Especificamente na questão do trânsito, especialidade do professor e também uma questão de saúde pública, como afirma, a estatística também tem importante função: são os números que permitem conhecer a eficácia de medidas como o respeito à faixa de pedestres e o uso do cinto de segurança, por exemplo. “Na pós-graduação, as teses precisam de marcos metodológicos que freqüentemente incluem a estatística. Como a quantidade de informação na área é muito grande, essa é a ciência indicada para lidar com ela”, complementa.

Dados que permitem analisar a satisfação de consumidores, o clima dentro das organizações, os tipos de segmentação de mercados, a aceitação e a concorrência de produtos, além das famosas pesquisas eleitorais, são a matéria-prima do trabalho realizado na Opinião Consultoria, empresa criada pelo estatístico graduado na UnB em 1998 Alexandre de Araújo Garcia. “Antes de entrar na universidade, não tinha qualquer informação sobre a profissão. Escolhi por gostar de matemática. Depois, descobri: era uma forma de trabalhar com a matemática aplicada à vida real”, conta Garcia, que desenvolve trabalhos para instituições como a Associação do Comércio do Distrito Federal, a Vivo Celular, a General Motors, a Unesco, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil.

Na UnB – O bacharelado em Estatística na UnB é único no Centro-Oeste. Durante a formação, os estudantes têm à disposição dois laboratórios nos quais exercitam a parte prática da atividade. Além disso, disciplinas opcionais dentro do próprio departamento ou em outras áreas complementam a formação do bacharel. Para Alam Gonçalves, no 8º semestre do curso, esse contato com outras disciplinas é fundamental. “Não dá pra ficar só nas matérias da Estatística. Temos que buscar nos aprofundar em áreas de interesse específico e outras correlatas, como a computação, por exemplo. Eu mesmo procuro me envolver com essa área e com a de economia, de que gosto bastante”.

De acordo com o professor Belloni, a partir do quinto semestre – aproximadamente na metade do curso, que dura em média quatro anos – muitos conseguem estágios em instituições que mantém convênio com a UnB, entre elas a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. "Nossos alunos são muito bem aceitos no mercado", revela. Alam começou a estagiar no quarto semestre, na Fundação Nacional de Saúde, e também passou pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Com importante função na formação dos futuros estatísticos, a empresa júnior Estat Consultoria existe desde 1995 para colocar os estudantes em contato com situações reais, de forma a aplicar o que aprendem em teoria. São desenvolvidos serviços de análise de dados, de perfil de clientes, de regressão, análise demográfica e ainda serviços nas áreas de controle de produção e de qualidade, delineamento de experimentos, estudos de tendência, planejamento amostral e suporte à tomada de decisão. "A Estat é uma excelente experiência. Dá visão de mercado e lições sobre o funcionamento de empresas", garante Garcia, ex-presidente empresa júnior.

O ânimo de Garcia encerra também um prognóstico otimista para a profissão. “Vivemos a Era da Informação. Nunca se coletaram tantos dados quanto hoje. As informações que os dados transmitem são imprescindíveis para tomar decisões em qualquer empreendimento”, diz. E a Estatística é a ciência que permite isso.

Saiba mais
Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Exatas (IE)
Campus: Plano Piloto
Habilitação: Bacharelado
Turno: Diurno
Número de semestres: 7 (mínimo) / 16 (máximo)

 

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