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Onde arte e mercado se encontram
Desde 1989, quando foi criado, o curso de Desenho Industrial da UnB
esteve subordinado ao Departamento de Artes Visuais, no Instituto de
Artes. Em abril de 2004, no entanto, desvinculou-se e ganhou o status
de departamento. “Ainda somos filhos das Artes, mas não podíamos continuar
na barra da saia da mãe para sempre”, afirma Nayara Moreno, coordenadora
de graduação do curso entre 2002 e 2004. Ela explica que natureza da
profissão, de fato, aproxima-a da subjetividade artística pela importância
essencial da criatividade, da estética e da originalidade nos projetos.
Mas outros aspectos como a necessidade de se realizar estudos detalhados
de custos de execução das idéias, do mercado, dos materiais envolvidos,
inclinam a carreira em direção a áreas como a engenharia, a arquitetura
e a publicidade. “No fim das contas, somos um funil para todas essas
atividades”, resume Nayara.
Há dois caminhos básicos para o estudante de Desenho Industrial na
UnB. O mais antigo e historicamente mais popular é o da Programação
Visual. Nela, o designer trabalha a imagem impressa por meio
de elaboração de logotipos e projetos gráficos para publicações até
o desenho de fontes a serem utilizadas em computadores. Outro ramo dentro
da Programação Visual cada vez maior e mais sofisticado é o webdesign
– que constrói páginas na internet.
Outra área compreendida pelo curso é o Projeto de Produto. Com
essa formação, o estudante se habilita a projetar móveis, jóias,
roupas e toda o tipo de objetos utilizados no cotidiano, como
computadores, luminárias e até instrumentos musicais. Esse foi o
caso de Rafael Lobo, graduado em 2004, cujo projeto final foi
construir uma guitarra. O estudante pesquisou madeiras brasileiras
ideais para a confecção do instrumento, o formato próprio para
extrair o tipo de som que procurava, investigou as instalações
elétricas necessárias e, claro, caprichou na pintura de acabamento.
Lobo é exemplo de uma terceira possibilidade oferecida aos alunos na
UnB: fez dupla habilitação. Concluiu programação visual e, depois,
projeto de produto.
Depois da graduação, o profissional poderá também seguir a carreira
acadêmica. A pós-graduação em Desenho Industrial é rara em todo o país.
As carreiras acadêmicas são geralmente direcionadas para suas especificidades
relacionadas às áreas próximas. Em geral, procura-se mestrado e doutorado
em Artes, Arquitetura ou Engenharia. No entanto, a graduação na UnB
busca atuar de forma cada vez mais abrangente na formação do estudante.
Serviços – O Núcleo de Desenho Industrial é resultado direto
dessa disposição. Nele, professores, alunos e designers formam
grupos de pesquisa para aprofundar os estudos a partir de demandas reais,
nas áreas de projeto de produto, mais especificamente em design
de jóias e bijuterias, mobiliário, vestuário, embalagens. “Trabalhamos
principalmente com os quatro primeiros, mas sempre que surge alguma
demanda diferente aceitamos também”, conta a professora Ana Cláudia
Maynardes, coordenadora do núcleo.
Os cerca de 20 alunos trabalham sob o gerenciamento de sete designers
contratados. Cada participante recebe créditos no currículo e uma bolsa
no valor de R$ 241,00, cuja duração depende do tipo de projeto desenvolvido.
Ana Cláudia diz que o objetivo é colocar os alunos em contato com situações
reais de mercado e promover os futuros profissionais. “O fim não é concorrer
com escritórios, mas abrir o mercado para nossos alunos e cultivar a
confiança dos empresários nos profissionais da área”, diz.
O mercado, aliás, tem sido pródigo com os estudantes da UnB.
Nayara conta que especialmente na área de Programação Visual há
empregos à farta para os graduados na UnB. Ana Cláudia emenda
garantindo que na área de Projeto de Produto o nome da universidade
já inspira confiança às empresas.
Apesar de saberem de forma geral do que trata o curso de Desenho Industrial,
muitos estudantes chegam despreparados. Segundo Nayara, muita gente
entra na UnB com o estereótipo do “design arrojado”. “É preciso
frisar que a elaboração de um projeto perpassa uma série de etapas técnicas,
não é só fazer o desenho em si. O designer é um integrante
de uma grande equipe, sem a qual o resultado final não é possível”,
ensina. No que diz respeito ao conhecimento sobre arte, a professora
considera que a preparação nos ensinos fundamental e médio é insatisfatória.
O candidato deve procurar, por conta própria, conhecer melhor o que
é design e como o desenho industrial evoluiu, antes mesmo de
passar no vestibular.
Design é:
Elaborar estudos para identificar as demandas, as especificidades
do que o usuário quer, por meio de pesquisa de material, pesquisa
gráfica e execução dos projetos. Está dividido em duas grandes
áreas:
- Programação visual, que abrange o desenvolvimento de projetos gráficos
para publicações, atuação em publicidade, elaboração de logotipos,
fontes e outras marcas gráficas;
- Projeto de produto, do qual fazem parte o trabalho de desenho, elaboração
e confecção de móveis, jóias, roupas e objetos diversos.
Saiba mais
Unidade Acadêmica: Instituto
de Artes (IdA)
Campus: Plano Piloto
Habilitações: Bacharelado em Programação
Visual e Projeto do Produto
Turno: Diurno
Número de semestres: 7 (mínimo) / 14
(máximo)
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