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Um olhar sobre o Estado
Um profissional capaz de criticar injustiças sociais e propor
soluções políticas em um mundo onde alguns poucos
têm privilégios e outros muitos vivem em condições
subumanas. É assim que a professora do Instituto de Ciência
Política da Universidade de Brasília (UnB) Lúcia
Avelar define o cientista político. Para ela, o profissional
é capacitado a pensar a sociedade e as relações
de poder nela existentes. “Fatores intelectuais, morais e de justiça,
se entrelaçam na definição desta carreira”, afirma.
Foi com o espírito de transformar o mundo que o estudante João
Francisco Araújo Maria optou pela carreira. Araújo quer
entender como funciona a sociedade e modificar o que considera errado.
“A política é uma das principais esferas para mudar a
sociedade”, revela.
Muitas pessoas dizem não gostar de política. A ciência,
no entanto, permeia todas as relações humanas sociais.
Fazer política é encontrar a melhor forma de garantir
os direitos e deveres dos cidadãos, levando em conta as diferenças
entre os indivíduos e os interesses de cada um. “Por isso, quem
deseja entrar no curso deve gostar de ler, interessar-se em ciências
humanísticas e, sobretudo, gostar de política”, reconhece
Lúcia.
Como cientista político você pode:
- Trabalhar em assessorias de políticos, de partidos, sindicatos,
organizações não-governamentais (ONGs);
- Trabalhar em assessoria parlamentar de vereadores, deputados e senadores;
- Trabalhar como analista político;
- Produzir dados eleitorais, atuando em instituto de pesquisa;
- Trabalhar com marketing político em campanhas eleitorais;
- Ser gestor do governo, concebendo, implementando e avaliando as
políticas públicas de diversas áreas do governo.
A UnB é a única universidade pública do país
que oferece o curso de Ciência Política. Nas demais, o
estudante entra no curso de Ciências Sociais e, ao se formar,
faz mestrado ou doutorado na área da política. Além
disso, a proximidade com o poder público é outro diferencial
da UnB. Pode-se unir a teoria e a prática mais facilmente. Araújo
ressalta que, por estar próximo das instituições
representativas do poder federal, o estudante da UnB tem fácil
a acesso a relevantes materiais de pesquisa. “Para saber sobre qualquer
assunto relacionado aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
é só ir aos ministérios e tribunais, que estão
logo ali”, conta.
Os principais campos de análise do cientista político
são o poder, as elites, o Estado, as representações
políticas, a sociedade civil, as políticas públicas
e sociais e conceitos como democracia, cidadania, corporativismo e outros.
Na UnB, o estudante aprende a teoria política clássica,
moderna e contemporânea, baseada no pensamento de grandes nomes
como Platão, Aristóteles, Maquiavel, Rousseau, Stuart
Mill e muitos outros. Além dos clássicos, o currículo
aborda também o pensamento político de autores brasileiros
como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado
entre outros.
Para colocar o aprendizado em prática, os alunos contam com
um convênio entre a UnB e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por meio do acordo, eles formaram um grupo de trabalho permanente para
produzir análises da realidade eleitoral brasileira. Importantes
projetos de pesquisa também são desenvolvidos por alunos
e professores em duas linhas de pesquisa – Estado, Política e
Economia e Política Brasileira e Democracia. A primeira tem ênfase
nas políticas públicas e a segunda nas questões
da democracia. O IPOL tem curso de mestrado e, em breve, implementará
também o doutorado.
Como na realidade - O projeto Politéia, criado por alunos e
professores do Instituto de Ciência Política da UnB, em
2002, é um exemplo de como o aluno pode aprender praticando.
A idéia do projeto é simular o trabalho de parlamentares
nos processos de decisão. Os alunos regem comissões, apresentam
propostas de alteração de leis em votação
e fazem toda a representação necessária. Para participar
da brincadeira, os estudantes se preparam. Lêem o regimento interno
do órgão em que vão atuar, examinam as leis e estudam
o perfil dos partidos políticos e de seus representantes. “Eles
vivenciam o papel de grupos que constituem a política nacional
e internacional”, explica Lúcia Avelar.
Inicialmente, o projeto foi realizado por alunos do curso de Ciência
Política e Relações Internacionais. A idéia
é amplia-lo e estender o projeto a escolas do ensino médio.
Saiba mais
Unidade Acadêmica: Instituto
de Ciência Política (IPOL)
Campus: Plano Piloto
Habilitação: Bacharelado
Turno: Diurno
Número de semestres: 6 (mínimo) / 12
(máximo)
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