Graduação
 
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O mundo em imagens

Representar e expressar emoções, pensamentos ou histórias com valor estético – por meio de pinturas ou esculturas, por exemplo – é algo que os seres humanos aprenderam a fazer há milhares de anos. E continuam fazendo hoje, depois de milênios de refinamento e revoluções e de uma longa estrada percorrida por nomes que influenciaram e foram influenciados e exploraram tantas possibilidades quanto as que deixaram de lado. Fornecer ao artista o conhecimento que ele precisa para conseguir localizar a sua própria linguagem dentro das inúmeras correntes produzidas por todo esse tempo de história – ou à margem dela – é a grande proposta do curso de Artes Plásticas da Universidade de Brasília (UnB).

“As artes têm tanto espaço na academia quanto qualquer outra área. Elas constituem, na verdade, um dos mais tradicionais ramos do conhecimento humano”, lembra o professor do Departamento de Artes Plásticas Nelson Maravalhas. Ele destaca que o curso não é voltado especificamente para o desenvolvimento das técnicas. “Quando perguntamos aos calouros o que eles mais esperam do curso, eles geralmente dizem: ‘desenvolver a minha técnica’. Vão, de fato, aprimorar um pouco suas habilidades, mas além disso queremos que desenvolvam um pensamento, uma linguagem própria”.

Apesar de esse não ser o foco do curso, no entanto, as aulas não deixam de ter importância para quem pretende trabalhar diretamente com o métier. Marta Penner graduou-se em 1995 e, em 2000, concluiu o mestrado em Arte e Tecnologia, ambos na UnB. “A graduação em artes plásticas confere uma boa visão do todo. Acredito mesmo que outros cursos, como comunicação e publicidade, devessem ter matérias do Instituto de Artes em seu currículo obrigatório”.

Referência – “O currículo da UnB serviu de base para que o Ministério da Educação elaborasse o currículo básico exigido dos outros cursos do país”, conta Maravalhas. O fluxo das disciplinas é dividido em três etapas, chamadas de núcleos. A primeira, de fundamentação, tem por objetivo situar os estudantes apresentando algo da história da arte e algumas técnicas. Em seguida, o núcleo de correlação permite ao aluno explorar as possibilidades da UnB, fazendo disciplinas em outras áreas de conhecimento e estabelecendo correspondências com a arte. Por fim, é no núcleo de aprofundamento que o estudante pode desenvolver sua linguagem ou poética pessoal. Para graduar-se, ele deve, obrigatoriamente, apresentar uma monografia e realizar uma exposição.

Ao exporem, os alunos têm a chance de ser criticados e analisados por professores e colegas. Da mesma forma, podem criticar as exposições dos outros alunos. Esse processo é importante, na visão de Maravalhas, por permitir que o artista aprenda a ver o trabalho que não é o dele. Assim, alguns alunos começam a expor logo nos primeiros semestres do curso, quando já demonstram maturidade para tal. “Aprender a criticar e ouvir as críticas ajuda a melhorar o discernimento. Quanto à melhoria técnica, essa é individual”. Além dos ateliês e das salas de aula, os trabalhos do curso de Artes Plásticas, que dura, em média, quatro anos, podem acontecer nos laboratórios de fundição, para escultura, ou de fabricação de papel.

Vida de artista – Maravalhas admite que viver da produção individual de peças de arte é bastante difícil e não depende apenas do talento do artista ou da qualidade do material. Especificamente em Brasília, onde não há uma galeria particular de arte sequer, o mercado ainda é bastante incipiente. Mas o professor garante que é possível viver de trabalho em contato com a arte. O bacharel em Artes Plásticas pode atuar em produções artísticas, em curadorias de mostras, como monitor de exposições. Ele pode também se associar a museus ou a agências de design, pode atuar como ilustrador de livros científicos ou literários, de jornais. Além, é claro, da atividade tradicional: a venda de produção própria.

“Hoje, pode-se conseguir apoio institucional para realizar exposições, como recursos da lei Rouanet, que isenta de impostos as instituições que patrocinam arte”, explica Maravalhas. A esse respeito, Marta Penner diz que é preciso aprender a ler a legislação cultural para conseguir explorar as possibilidades. Mas a artista destaca que, ainda assim, quem espera ser reconhecido e viver de sua produção artística deve estar preparado para investir muito em si mesmo antes de conseguir qualquer retorno.

Marta sugere como alternativa a carreira nas salas de aulas. Para isso, a UnB oferece também a licenciatura em Artes Plásticas, cuja maior diferença para o bacharelado, em termos acadêmicos, é incluir no programa algumas disciplinas de pedagogia. Os licenciados em Artes Plásticas estão aptos a darem aulas para estudantes do Ensino Médio.

Saiba mais
Unidade Acadêmica: Instituto de Artes (IdA)
Campus: Plano Piloto
Habilitações: Bacharelado e Licenciatura Plena
Turno: Diurno e Noturno (Licenciatura Plena)
Número de semestres: Diurno: 8 (mínimo) / 12 (máximo); Noturno: 8 (mínimo) / 14 (máximo)

 

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