| Gerenciar, preservar e dinamizar
o patrimônio documental
Pilhas de documentos encostados no canto de uma sala, milhares de informações
importantes perdidas em papéis sem qualquer identificação.
A cena é recorrente em vários órgãos públicos
e em empresas privadas que, na maioria das vezes, não dão
o valor necessário aos documentos que contam sua história.
Certidões, comprovantes e relatórios, que podem fazer
a diferença na vida de várias pessoas, são deixados
de lado por falta de organização.
O quadro, porém, está mudando, e para isso tem contribuído
a formação de profissionais com curso superior em Arquivologia.
Um arquivista é o profissional responsável pelo gerenciamento
dos documentos e das informações arquivísticas.
Os arquivos, por sua vez, têm um duplo papel: jurídico-administrativo
e histórico-cultural. A formação desse profissional
tem como foco principal o tratamento especializado dos documentos e
das informações arquivísticas – registradas em
qualquer tipo de suporte – produzidos e acumulados por uma pessoa física
ou jurídica, pública ou privada, no curso de suas atividades.
A formação do arquivista busca também prepará-lo
tanto para intervir e propor políticas públicas de acesso
aos arquivos, tanto para os cidadãos como para a pesquisa científica
quanto para ser um profissional capaz de sugerir os meios legais e científicos
para a preservação da memória do passado coletivo.
O tratamento especializado dos arquivos implica várias etapas,
desde a pesquisa até a preparação de instrumentos
(catálogos, inventários, guias, bases de dados, etc.)
que possibilitam o acesso aos documentos. A consulta ao documento certo,
sem perda de tempo, pode garantir rápidas decisões e um
posicionamento estratégico mais eficiente.
Um arquivista deve estar preparado para abordar os arquivos em sua
totalidade, em todo o ciclo de vida dos documentos. O ciclo de vida
documental – conceito nascido nos Estados Unidos – considera que os
documentos de arquivo passam por três fases: corrente, intermediária
e permanente. A primeira corresponde aos documentos de uso muito freqüente,
geralmente por seus produtores, e a última é mais comumente
conhecida como a dos “arquivos históricos”. Não tendo
mais que responder aos objetivos imediatos dos seus criadores, estes
arquivos têm, na terminologia arquivística, um valor de
testemunho, um valor para a pesquisa.
Na UnB, o curso só é oferecido no período noturno.
Nos quatro anos do curso, os estudantes entram em contato com teorias
de gestão estratégica, planejamento de sistemas de informação
e de administração de arquivos permanentes. A formação
dos alunos compreende aulas teóricas e práticas, incluindo
estágios externos em instituições públicas
e privadas. Dentre as disciplinas oferecidas, os conteúdos abordam:
avaliação, classificação, indexação,
descrição e conservação/preservação
dos documentos. As tecnologias de informação oferecem
novos desafios aos arquivistas, que se defrontam, hoje, com documentos
produzidos eletronicamente e em meio digital. Aulas práticas
em laboratório assim como as tendências e diretrizes nacionais
e internacionais sobre esses aspectos integram o currículo do
curso.
Não falta vaga – O governo é um dos
principais empregadores do Arquivista em Brasília. A proximidade
com o poder público é uma vantagem para o profissional
graduado na cidade. Um vasto campo de trabalho se apresenta, hoje, também,
nas organizações privadas e, muitas vezes, o trabalho
também é prestado a pessoas físicas, que querem
ter seu arquivo pessoal organizado. Os arquivistas são procurados
para facilitar o acesso à chamada “massa documental” de personalidades:
elas próprias ou seus familiares, ao tomarem consciência
da riqueza de informações contidas em papeladas e objetos
acumulados, decidem pela necessidade da organização.
Primeiros passos – Para quem não quer esperar
chegar ao mercado de trabalho para pôr a mão na massa,
os estágios e a Omnidocs, empresa júnior de Arquivologia,
são boas opções. Na Omnidocs, criada no começo
de 2004, os alunos colocam em prática o que aprendem na teoria
e passam por experiências que encontrarão fora da universidade.
Com uma equipe de aproximadamente 10 alunos e mais de 30 associados
cadastrados – que podem ser convocados para executar os projetos –,
a Omnidocs atende principalmente a empresas de pequeno e médio
porte, organizando acervos e recuperando fisicamente documentos. Primeiro,
faz-se o diagnóstico; depois é elaborada uma proposta
com a demanda de material, tempo e mão-de-obra; só então
é feito o contrato para que o trabalho seja iniciado.
Saiba mais
Unidade Acadêmica: Faculdade
de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência
da Informação e Documentação (FACE)
Site do departamento: www.cid.unb.br
Campus: Plano Piloto
Habilitação: Bacharelado
Turno: Noturno
Número de semestres: 6 (mínimo) / 10
(máximo)
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