Perfil dos Estudantes de Graduação das IFES

 

PESQUISA DO PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO E CULTURAL DO ESTUDANTE DE GRADUAÇÃO DAS IFES BRASILEIRAS

METODOLOGIA

I - Plano Amostral

     O plano amostral está descrito de forma detalhada no Anexo 1. Sucintamente, o método usado para selecionar os alunos da amostra de cada Ifes foi o de Amostragem por Conglomerado, Estratificada, onde o número de alunos escolhidos em cada estrato foi proporcional ao número total de alunos no estrato. Os estratos abrangeram cursos da mesma área de conhecimento. A unidade amostral básica foi a turma, isto é, um conjunto de alunos que assistem à aula de uma mesma disciplina. Os dados obtidos com os alunos da amostra podem ser expandidos ao universo dos estudantes de cada Ifes.

     De forma mais específica, seguiram-se os seguintes passos para obter a amostra:

  • Os cursos foram divididos por áreas, respeitadas as características de cada Ifes;
  • Em cada área, sempre que necessário, foi criado um estrato com os cursos noturnos, e outro com os cursos matutinos e vespertinos. Isto porque os alunos dos cursos noturnos podem diferir, em termos socioeconômicos, daqueles dos cursos diurnos. Assim, ambos deveriam estar representados na amostra;
  • O número total de alunos em cada um destes estratos foi obtido junto aos serviços de registro acadêmico das Ifes, tomando-se como referência o segundo semestre de 1995;
  • O tamanho básico da amostra foi estabelecido a partir das necessidades amostrais de uma pergunta com resposta dicotômica, assumindo-se uma taxa de erro máxima aceitável de três pontos percentuais e amostragem aleatória simples;
  • Este tamanho de amostra foi dividido proporcionalmente ao número total de alunos em cada estrato;
  • Em seguida, dentro de cada estrato, foi obtido o número de turmas. Para isto, o número de alunos a ser incluído na amostra foi dividido por 30, número padrão de alunos por turma;
  • Este número foi subdividido em turmas do início, meio e fim do curso, com porcentagens de 45%, 30% e 25%. Isto porque se assumiu que há sempre alguma retenção, desistência ou outro tipo de evasão, fazendo com que os alunos de um dado curso estejam mais concentrados no seu início;
  • Obtido o número de turmas para cada etapa do curso (início, meio e fim), selecionou-se, de forma aleatória e proporcional ao número de alunos, qual o curso, dentre aqueles de cada estrato, seria escolhido para fornecer a turma;
  • A identificação das turmas que compuseram a amostra foi feita pela coordenação local, analisando-se a grade curricular de cada curso sorteado. Selecionaram-se disciplinas específicas de início, meio e fim, dando-se preferência àquelas cursadas pela maioria dos alunos do curso escolhido.


II - Questionário

     Inicialmente, para a construção do questionário (Anexo 2), foi solicitado às Pró-Reitorias de Assuntos Comunitários e Estudantis que enviassem à coordenação da pesquisa os questionários e/ou formulários utilizados no trabalho de seleção socioeconômica de alunos. Solicitadas, também, sugestões de perguntas e/ou áreas de conhecimentos que nele deveriam constar.

     O questionário foi construído a partir das contribuições das Ifes e, para a sua elaboração, a equipe nacional da pesquisa seguiu as seguintes orientações:

  • que não se identificasse o aluno;
  • que fosse um instrumento de coleta de dados auto-aplicável;
  • que as perguntas fossem universais, ou seja, que os dados delas resultantes fossem de interesse de todas as Ifes;
  • que as perguntas que refletissem necessidades específicas de algumas Ifes ficassem em anexo ao questionário geral;
  • que as perguntas relativas à classificação socieconômica fossem de fácil resposta no momento da aplicação do questionário, sem necessidade de consulta à família.

     O questionário resultante dessa fase foi submetido à plenária do Fonaprace, em dezembro/95, em reunião de trabalho realizada na Universidade Federal de Uberlândia/MG- UFU.

     Coube à Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - dar a formatação final do questionário e enviar uma matriz a cada uma das 52 Ifes, que reproduziram o número necessário à aplicação da pesquisa em sua instituição.


III - Classificação socioeconômica: critério Abipeme

     Para a avaliação socioeconômica, optou-se pelo critério Abipeme (Anexo 3) pelos seguintes motivos:

  • este critério leva em consideração itens de conforto familiar e escolaridade do chefe da família.
  • utiliza indicadores simples, passíveis de serem informados em questionários de auto-preenchimento.

     A renda familiar poderia ser o item mais indicado como determinante da situação econômica dos alunos. Esse tipo de informação, entretanto, não é fácil de obter, considerando que os pesquisados podem não saber ou não querer informar; declarar mais do que realmente seja a renda; declarar menos que a renda real; declarar sem discriminar se os rendimentos são líquidos ou brutos.

     Nestas circunstâncias, o levantamento de informações sobre o nível de escolaridade do chefe da família e a posse dos itens de conforto familiar são de fácil resposta por parte dos estudantes. Além disso, os resultados obtidos em pesquisa realizada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP/MG) em 1994, com a aplicação do critério Abipeme, demonstraram que ele reflete a realidade da situação socioeconômica do aluno.


IV - Trabalho de campo

     O início da fase da coleta de dados foi sugerido para a terceira semana do segundo semestre letivo de 1996.

     Conforme orientação nacional, os coordenadores das Ifes desenvolveram um trabalho prévio de sensibilização interna junto aos órgãos colegiados, professores das disciplinas selecionadas e entidades de representação estudantil.

     Coube à coordenação local treinar a equipe de aplicação, selecionar as disciplinas específicas dos cursos sorteados na amostra e articular com os professores a data e o horário para abordagem da turma em sala de aula.

     Os estudantes foram solicitados a participar da pesquisa respondendo o questionário, voluntariamente, sem identificação. Em alguns casos, houve necessidade de sortear novos cursos ou novas turmas, dentro da mesma área, sem comprometimento do plano amostral.

     Cinco professores de estatística, um em cada região, colaboraram com os coordenadores na solução das dificuldades técnicas e operacionais, em etapa do trabalho de campo.

     Os questionários foram identificados por área, curso, turma e numerados em ordem seqüencial começando do número 1 (um), em cada turma. Isto, para consulta em caso de erro de digitação.

     Foi feita dupla digitação de cada questionário, por digitadores distintos. Os dados em disquetes foram remetidos à UNIFESP, que ficou responsável pelo tratamento e banco de dados.


V - Crítica e consistência dos dados

     Foi construído um programa em linguagem Clipper para minimizar os erros de digitação, testando cada campo individualmente, não permitindo que códigos inválidos fossem digitados. Além disso, essa ferramenta tinha um módulo para se fazer uma segunda digitação de cada questionário, para tornar seus dados ainda mais confiáveis (Anexo 6). Por problemas técnicos, duas universidades não utilizaram essa ferramenta.

     Num segundo momento, à massa de dados total aplicou-se um programa para:

  • trocar valores inválidos para "sem informação";
  • fazer a consistência das variáveis através de questões relacionadas;
  • eliminar da pesquisa questionários com muitas questões apresentando códigos inválidos ou sem informação;
  • recodificar variáveis a partir delas próprias e criar novas variáveis.

     Dos 32.348 questionários, apenas 32 foram eliminados pelo terceiro item.

 

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Última atualização 11 de setembro de 1998